Capítulo 05 - Passado | ENTRELAÇADOS
Depois de conversar com Allie, Gregory foi em direção a sua casa, mas por algum motivo seus passos mudaram de direção e ele começou a perambular por sua antiga vizinhança, ele não queria voltar para casa naquele momento, estranhamente tinhas várias coisas em sua cabeça, Allie era apenas uma delas, toda aquela situação teve o final que ele mesmo queria, mas ele se sentia estranho, Allie tinha o mesmo pensamento que ele, ela disse o mesmo que ele queria dizer, o que ele devia dizer ao menos. Gregory não sabia se ele conseguiria ter mais um relacionamento, pelo menos não naquele momento, depois de tudo o que aconteceu...
Andando pelas ruas de sua cidade Gregory se sentiu nostálgico revendo os lugares de seu passado, pelo menos isso foi bom para ele, esfriar sua cabeça de seus pensamentos diversos. Tanta coisa havia acontecido em tão pouco tempo, que iria imaginar que Gregory estaria ali, em sua antiga cidade, dormindo em seu quarto de infância, e a situação com Allie... Parecia que ele havia voltado para sua adolescência e que ele mais uma vez era aquele garoto emo meio tímido com um crush na vizinha, Gregory riu da situação, se ele soubesse quando era mais jovem que todos os seus sonhos molhados com Allie iriam se tornar realidade, talvez ele tivesse aproveitado melhor aquele noite.
E Rachel, sua irmã era a única coisa nova em toda aquela situação, na cabeça de Gregory Rachel ainda era aquela menina chata que vivia enchendo seu saco e que chorava 99,9% do tempo, mas ele estava errado, passou muito tempo fora, agora sua irmã era uma mulher feita, linda como ele nunca imaginou que ela poderia ser. Além de tudo uma pessoa que conseguiu aturar o pai deles, Gregory pensou em pedir dicas em como lidar com seu pai quando ele chegasse, o coração dele gelou por alguns segundos só de imaginar que estaria na presença de seu pai em não tão pouco tempo.
“Mamãe” Gregory disse para si mesmo, pense na mamãe, de todos era dela que Gregory sentia mais falta, das poucas memórias boa que ele tinha daquele lugar, sua mãe estava em quase todas, era por ela que Greg chamava quando tinha pesadelos, era os abraços dela que ele queria quando se machucava. Ele sorriu se lembrando de quando sua mãe contou que estava grávida de Rachel, ele não gostou no começo, não queria dividir sua mãe, mas quando a viu pela primeira vez no hospital e ela segurou seu dedo ele sorriu, a ideia de dividir sua mãe não era mais tão horrível, além do mais, ele era o primeiro filho, então naturalmente ele seria o preferido pensou.
- Qual o nome dela? – Gregory perguntou.
- Rachel – sua mãe disse sorrindo, ele gostou do nome, aquele nome não lhe era estranho.
- Por quê? – sua mãe perdeu o sorriso do rosto quando ouviu aquela pergunta. Ela ficou sem jeito e não sabia como respondê-lo – Por que o nome dela é Rachel? – Gregory perguntou mais uma vez achando que sua mãe não o ouviu direito, mas aquilo só a deixou mais constrangida.
- Greg, sua mãe está cansada, pare de ficar perguntando coisas idiotas – seu pai disse atrás dele, naquele momento ele se sentiu envergonhado, não queria fazer sua mãe ficar daquele jeito, não era sua intenção, não queria que seu pai pensasse aquilo.
- Você disse que meu nome é Gregory por causa do meu avô – Gregory tentou se justificar – Rachel é nome da mãe da mãe? – ele olhou para seu pai, o rosto dele era o mesmo do de minha mãe, mas diferente dela ele se recuperou rapidamente.
- Greg... – ouvi minha mãe tentar dizer.
Meu pai me puxou pelos braços para fora do quarto, ele fechou a porta e se abaixou, ficamos olho a olho naquele momento.
- Gregory, me escuta, nunca mais faça essa pergunta para sua mãe me ouviu? – ele o segurou pelos ombros e o apertou – sua mãe é frágil e você fazendo essas perguntas não a ajuda entendeu? Entendeu?! – ele o repreendeu mais alto dessa vez
- S-Sim – Gregory diz.
Aquele era seu pai, mesmo em uma lembrança que deveria ser feliz, a primeira vez que ele viu sua irmã, seu pai estragou tudo. Ele sempre pisou em ovos com seu pai, sempre se sentiu deslocado, como ele estivesse errado, mesmo quando não fazia nada. Muitas vezes ele sentia medo de seu próprio pai enquanto crescia, talvez por aquele motivo ele desandou em sua adolescência, se ele sempre estava errado na visão de George, como ele passou a chamar seu pai quando ficou mais velho, então ele daria um motivo real para a decepção de seu pai. É o que acontece quando você passa sua vida inteira tentando agradar uma pessoa que deveria te amar, mas que parecia ter toda a sua guarda levantada para seu filho. No começo achou que aquele era o jeito do seu pai, mas vendo Rachel crescer, e como ele a tratava diferente Gregory percebeu que o problema era ele. Seu pai era supercontrolador e não o deixava respirar, mas de um jeito tão bruto que ele não conseguia sentir nem um pouquinho de afeição vindo dele.
A mudança na atitude de Gregory foi de mudou da água apara o vinho, suas roupas eram quase todas pretas, deixou seu cabelo crescer, o que seu pai odiava, e passava quase todo o seu tempo na pista de skate, matava aula para ficar lá com seus amigos e fumar um. Se seu pai dava um conselho, Gregory fazia de tudo para fazer o contrário, ele estava cansado de tudo aquilo, as brigas com George ficavam cada vez mais frequentes, não por culpa de Greg, na sua cabeça ele apenas começou a se defender dos ataques de seu pai.
Gregory estava cansado daquilo, não havia nenhuma memória boa de sua infância em que seu pai não estava lá para estragar, ele se surpreende por não ter ido embora mais cedo, talvez fosse por sua mãe, e um pouquinho por Rachel, ela era mimada pelo pais deles, mas o amava, sempre estava lá, enchendo o saco dele, querendo passar tempo ao seu lado, muitas vezes Gregory acordava a noite sendo cutucado por ela quando tinha pesadelos, ela o procurava pois sabia que ele cederia e a deixaria dormir com ele diferente de seu pai que iria a colocar de volta em seu quarto sozinha. Ele aguentou tanto tempo por elas, mas tudo tinha seu limite.
Lembrar de seu pai fez com que sua cabeça esquentasse mais uma vez, ele pensou em ir embora, mas não poderia mais, não agora que conheceu Rachel, e ele sentia falta de sua mãe, seus olhos lagrimejavam, ele estava ansioso em revê-la e tenso ao mesmo tempo, pois sabia que sua mãe vinha com o pior combo possível, seu pai. Gregory sempre se perguntou porque sua mãe estava com ele, ele era mais velho que ela, ela não conseguia ver nenhum atrativo que sua mãe poderia ver naquele homem, sua mãe era linda, sempre ouviu aquilo, especialmente de seus colegas que piravam quando a viam, ele não ligava para aquele tipo de piada, mas sempre se perguntava se um dia sua mãe acordaria e divorciaria de seu pai, aquele era um sonho recorrente de Gregory, ele sonhava em um dia sua mãe o acordá-lo com Rachel em seu colo para que os três fossem embora daquela casa e nunca mais voltassem.
Mas aquilo era apenas um sonho, sua mãe amava seu pai, um amor muito forte. Pelo menos com sua mãe George era diferente, e era o mínimo que ela merecia, ela realmente era perfeita, conseguiu se formar na faculdade enquanto estava gravida e cuidava de outro filho sem nenhuma ajuda. A família Foster sempre consistiu em Gregory seus pais e Rachel, Greg nunca teve avós, os pais de seu pai haviam morrido muito tempo antes e sua mãe era órfã, pelo menos era o que ele achava, nas poucas vezes que mencionou no assunto ele fora repreendido por seu pai como no dia que Rachel nasceu. Desde cedo Gregory aprendeu que não deveria mencionar aquilo, e como era sua mãe e ele não queria vê-la triste se contentou com o assunto e deu um sermão em Rachel quando ela fez o mesmo. Toda família tem seus segredos, e aquele era o deles.
{...}
Gregory se sentou na pista de skate e ficou vendo os adolescentes se divertindo, há alguns anos se você quisesse encontrar Gregory ele provavelmente estaria ali, ele estava em transe, relembrando de seu passado, ficou tão vidrado em suas memórias que mal viu que o dia havia passado quase que inteiro, já estava escurecendo, ele pensou em Rachel, ela devia estar preocupada achando ele foi embora novamente. Ele correu para casa, entrou pelos fundos na esperança de se encontrar com Allie, mas a luz de seu quarto estava desligada. Quando ele entrou na cozinha se assustou com o que viu. Seus pais
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