Capítulo 04 - Árvore | ENTRELAÇADOS
- S-Sim, eu... eu só não quero que você se sinta sozinho, nunca mais. – Rachel abraçou seu irmão novamente como quando reviu seu irmão pela primeira vez depois de tanto tempo. Gregory viu como sua ida havia afetado sua irmã mais nova, seus pensamentos voaram para o restante de sua família, sua mãe. Como ela reagiria com a sua volta? E seu pai? Seu pai fora o motivo dele ter se afastado e ficado longe por tanto tempo, o que ele pensava sobre Gregory agora, ele sequer pensava nele? Como Greg iria se referir a ele? Pai? George? Tanto tempo havia se passado que a imagem de seu pai era distorcida, ele lembrava bem dos desentendimentos, mas houve momentos bons? Era difícil de lembrar até disso. Muito tempo passou desde a última vez que Gregory se sentou naquela cozinha. Mas lá estava ele de volta, como se nada tivesse acontecido, e Rachel, tinha o recebido também, tão calorosamente que por um momento ele esqueceu das partes ruins, de todos os seus receios que fizeram sua volta para casa ter demorado tanto.
Gregory não estava acostumado aquilo, a as coisas boas, descomplicadas, mas pela primeira vez em sua vida, era o que estava acontecendo, em grande parte por causa de sua irmã, que ele deixou tão pequena, mas agora estava tão grande, uma completa desconhecida se ele passasse por ela na rua alguns dias atrás, mesmo assim ele conseguia lembrar daquela garotinha em Rachel, a cor de sua pele, seu cabelo, e seus olhos. Seu cheiro doce era a parte que mais chamava atenção nela, pelo menos para Gregory que estava colado junto a sua irmã que ainda não tinha o largado. Um abraço tão delicado e forte ao mesmo tempo que fez com que Gregory relaxasse pela primeira vez em um bom tempo, ele aprendeu que ter Rachel perto de si acarretava aquilo, se ele soubesse daquilo talvez teria voltado mais cedo.
- Rachel?
- Sim?
- Eu não vou a lugar nenhum – Gregory disse, ter sua irmã ali com ele o abraçando, era um sentimento novo, mas um sentimento que ele não queria perder, ele sabia que os próximos dias não seriam fáceis, mas ele não conseguiria abandonar sua família, não uma segunda vez, não Rachel.
- Você jura? – Ela disse
- Sim eu juro – os dois se soltaram e se olharam um no olho do outro, Rachel estava séria, podia se ver em seus olhos, ela não queria que seu irmão fosse embora nunca mais – você vai enjoar de mim – Gregory continuou.
- Eu nunca vou me enjoar de você – ela disse o abraçando mais uma vez, dessa vez mais rápido pois ela deu um selinho em Greg, seus rostos se encostaram por apenas alguns segundos e então Rachel levantou e se afastou de Gregory, ele ficou sentado, por algum motivo sentia suas bochechas corarem, a atitude de Rachel o havia pegado de surpresa, seus lábios se tocaram, mesmo que por apenas alguns segundos, Gregory não se sentia preparado para aquilo, seria assim a sua relação com a sua irmã, família não estava no dicionário dele, então ele não sabia como agir perante aquilo, mesmo sendo uma atitude que aparentemente não era nada demais para Rachel, mexeu com Gregory, era estranho em não pensar em Rachel como uma mulher, não fazia o menor sentido, para Gregory Rachel, era aquela menina chata que ele conhecia antes de ir embora, mas agora, não! Aquilo era estranho, ele não podia pensar naquelas coisas, mesmo sua mente voltando para aqueles poucos segundos toda hora.
- Greg? – Allie disse quando finalmente abriu a janela de seu quarto. Seu vizinho de infância ressuscitou uma atitude de sua adolescência, jogar pedrinha na janela para que os pais dela não o vissem. Alexandra era a única Archer que gostava dos Foster, os demais tinham algo contra eles desde que Gregory se entende por gente – você sabia que existe uma porta? – ela disse se escorando no batente da janela sorrindo, daquele ângulo Greg conseguiu ver o contorno dos seios de Allie. Aquela situação o fez lembrar do passado, ele tinha uma quedinha por Allie, imaginou como o eu dele de alguns anos atrás reagiria se soubesse que algumas horas atrás ele e sua paixonite de adolescência consumaram os sonhos molhados dele e de seus colegas da época.
- Sim, mas eu não sei com o Sr. Archer me receberia, ele sempre pareceu me odiar.
- Não leve para o lado pessoal, ele odeia todo mundo, até mesmo.... – Allie se cortou – o que você quer Foster? – o que ele queria? Nem ele mesmo sabia, ele sentiu uma grande urgência em sair de casa, e Allie foi a primeira coisa que veio em sua cabeça que ele não se culpasse por.
- E-Eu queria ver como você estava, sabe, depois de ontem à noite....
- Veio checar como eu estava – ela disse sorrindo – eu estou bem, e você? Da última vez que eu te “chequei” estava no quinto sono depois de nós....
- Sim! – Gregory foi quem a cortou dessa vez, ouvi-la disser em voz alta significaria que ele teria que arcar com as consequências – Olha, Allie, será que poderíamos conversar? Sozinhos?
- Estamos sozinhos agora, quer dizer, sem contar com os esquilos nos observando do alto das arvores, mas eu não acho que eles vão ligar.
- Talvez de frente um para o outro? – ele disse.
- Okay – ele disse – já estou descendo.
- Tudo bem – ele esperou que ela descesse e aparecer na porta dos fundos da casa, mas ao invés de desaparecer em seu quarto Allie começou a passar pela sua janela – o que você está fazendo? - Gregory disse assustado
- Descendo, não era isso que você queria – ela falou enquanto se preparava para pular de sua janela em direção à arvore à sua frente
- Não! – Greg gritou quando ela deu o pulo, mas felizmente Allie conseguiu se segurar na árvore, ele se pendurou em mais alguns galhos até achar um grosso suficiente para se sentar.
- O que foi – ela disse depois que ele a observou por um tempo esperando algo.
- Você não vai descer?
- Eu mudei de ideia, se quiser conversar você sobe – ela disse, ele olhou desacreditado – o que foi? Eu já fiz um grande esforço para chegar aqui, seria injusto você ficar aí parado apenas me esperando.
- Allie!
- Anda vem logo, senão eu volto para o meu quarto.
-Não tudo bem! - Gregory disse, ele tentou escalar a árvore algumas vezes até finalmente conseguir se segurar com força suficiente para pode subir, foi mais difícil do que ele lembrava, aquela árvore tinha duplicado de tamanho desde que ele foi embora, e com certeza ficado mais íngreme, ele disse para se justificar.
- Ou você só está ficando velho – Allie disse, os dois se sentaram um do lado do outro e ficaram alguns segundo em silêncio.
- Allie... – ele disse.
- Alex, todo mundo me chama de Alex agora.
- Sim, desculpas. Alex, sobre ontem....
- Eu sei, você quer dizer que aquilo foi um erro e que não quer nada...
- Não! – ele a interrompeu – não foi um erro, mas...
- Tem sempre um “mas” – ele falou sorrindo sarcasticamente.
- Eu sei, eu sei o que isso parece, mas é que... eu voltei depois de tanto tempo... e sinceramente eu não sei o que vai acontecer, como meu pai vai me receber, e eu acho que seria injusto, injusto com você
- Comigo?
- Sim, eu não quero que você se machuque.
- E quem disse que eu me machucaria
- Allie... Alex eu...
- Olha Greg, eu não sou mais a mesma garotinha de quando você foi embora, muitas coisas aconteceram, comigo, com minha família, e se tem uma coisa que eu aprendi foi não me machucar por outras pessoas, principalmente homens, eu já tenho minhas próprias feridas, então naõ se preocupe comigo, não que você estivesse morrendo de preocupação
- Eu...
- Olha Greg, se você quiser passar um tempo novamente, me chama, se eu estiver no clima quem sabe. Mas até lá, no nosso dia a dia, vamos ficar como vizinhos.
- Allie... – Allie pulou da árvore assim que terminou sua sentença, ele se assustou, mas estava tudo bem, ela caiu de pé e logo voltou para dentro de casa, aquilo não foi como Gregory planejava, completamente diferente, ela estava certa, ela não era a mesma garota que ficava chorando na janela olhando para o céu.
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