Capítulo V - Cartas | DEVER & DESEJO
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Capítulo V
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Alguma carta para mim – Alexandre disse para o empregado que entregava todas as
cartas do dia.
- Não senhor – ele disse depois de ponderar –
nenhuma de quem você espera – ele disse se referindo a Arthur. Alexandre deu um
suspiro de decepção.
-
Obrigado – ele disse – pode se retirar.
-
Com licença senhor – o empregado disse deixando Alexandre sozinho em seu
escritório. Já fazia cinco semanas desde que Alexandre havia mandado a sua
última carta, por que nenhuma resposta até agora? Será que alguma coisa teria
acontecido com Arthur?
A
primeira das cartas foi de Arthur, de certa forma, agradecendo pelas flores,
nada mais do que uma cordialidade que devia ter sido imposta por sua mãe, mas
depois disso Alexandre retornou agradecendo seus “agradecimentos” e continuaram
conversando daquele modo foram cartas pequenas no começo com pouco mais de duas
frases, mas agora eles já conversavam de forma mais extensa, em nenhum momento
nenhum deles sugeriram continuar a conversa por outro meio além das cartas, que
não passavam de assuntos cotidianos nada mais do que meras trocas de simples afeto, mas
o número de cartas já havia passado de uma mera afinidade, Alexandre sabia que
ele não podia ir cedo demais ao fim da linha, Arthur ainda era jovem, vinha de
uma boa familia, então a única coisa que restava era apreciar o caminho da largada
até chegada, mas sempre haviam obstáculos, um deles era o seu pai, a quem
Alexandre não suportava, ele fazia de sua vida um inferno na empresa, todo dia
era um problema diferente, ou a solução “ruim” para os problemas que ele mesmo
criava.
O
chefe dos Galanis não sabia como administrar uma empresa, não era a culpa dele,
não corria em seu sangue assim como corria em Alexandre. João sempre jogava no ar
que cuidou daquela empresa por anos, o que era um ponto do porque ele ainda
continuava na empresa, mas João apenas impediu o barco de afundar por um tempo,
a tentativa falha de por as ações para o público solucionou o problema
suficiente para que todos da família abandonassem o barco com os bolsos cheios,
dando o chapéu para João que delirava ao pensar que ele era o capitão de tudo
aquilo. Ele apenas continuava na empresa por causa de Alexandre, apesar de
odiar aquele homem insignificante que conseguiu sentar-se na mesa dos garotos
populares era Arthur.
As
cartas foram um belo começo para que Alexandre se aproximasse de Arthur, que
passava por um momento delicado, ao que Alexandre pode entender pelas suas
cartas e pelos rumores que chegavam em seus ouvidos era que todos acreditavam
que ele era um beta, e sempre foi tratado como tal, mas todos estavam enganados.
Era comum em ômegas homens se desenvolverem mais tarde, Alexandre sabia daquilo
devido ao seu passado. Era incomum acontecer aquilo com uma família na posição
da dele, havia histórias que quando isso acorria no passado eles se livravam da
criança logo no parto para não haver vergonha na família. Alexandre só podia
imaginar a decepção Arthur crescer achando que poderia ter tudo e ver suas
esperanças irem para o ralo abaixo, nenhuma boa universidade admitira alguém
como ele sua família sequer permitiria devido a sua posição, ainda mais com
tantos escândalos no passado.
Ele
teve que trocar de escolas logo depois da festa onde Alexandre o viu pela
primeira vez, talvez aquela fosse a noite em que seu pai realmente descobriu a
notícia, sua surpresa quando ele encontrou Arthur daquele jeito finalmente foi
explicada. Ele entrou em uma boa escola para ômegas, mas escolas desse tipo não
era levadas a sério.
Em
suas cartas Arthur reclamava como não saia muito de sua casa ultimamente e que
tinha que ser “acompanhado” por alguém se ele saísse. As esperanças de
Alexandre de se encontrar com Arthur não se realizariam, ele queria vê-lo,
mesmo que de longe, sentir seu cheiro, ele até mesmo criou contas em redes
sociais para poder ver Arthur, todas eram fotos antigas, nenhuma depois que ele
descobriu o que ele era. Já fazia seis meses desde que os dois se encontraram e
Alexandre temia que perderia sua janela se não agisse de algum jeito, as cartas
foram boas enquanto duraram, mas a cada carta a frequência diminuía assim como
o tamanho delas
-
Gabriel? - Alexandre chamou seu assistente que estava sentado em um banco do
outro lado da sala mexendo em alguns papéis,
-
Senhor?
-
Você já começou a fazer o que eu havia pedido.
-
Em relação à....?
-
A casa na praia – ele disse abrupto.
-
Ah sim, já telefonei os caseiros, tudo já está começando a ser preparado.
-
E os convites?
-
Foram enviados, esperando as confirmações.
-
Ok, muito bem, alguma confirmação?
-
Algumas, mas não a que você espera.
Alexandre
podia ser um bom ator, ele conseguiu se aproximar de João, mesmo odiando cada
segundo que passava com ele, mas a relação dos dois não era muito boa, João via
Alexandre como a pessoa que havia roubado sua empresa e era orgulhoso demais
para se abaixar para ele, coisa que teria que fazer se quisesse existir naquela
empresa, muitas das pessoas na empresa perguntavam como João ainda estava lá
mesmo depois de tantas discussões entre ele e Alexandre, os dois eram os piores
tipo de alfa, aqueles que se achavam dono da razão e não podiam ser
contrariados. Mas João tinha um coringa em sua manga que nem ele sabia, o motivo
dele ainda continuar na empresa e não ser enxotado, Arthur, mas Alexandre não
deixaria que ele soubesse disso. O convite de Alexandre colocou João em uma
posição difícil, ele não queria aceitar, mas não podia fazer aquilo, outras
pessoas da empresa foram convidadas e ele estaria perdendo se não fosse.
João
aceitou o convite de Alexandre, mesmo não querendo, por mais que não soubesse
de tudo ele conseguia perceber que sua permanência na empresa que havia
dedicado tanto tempo de sua vida era incerta, então ele deveria aproveitar momentos
como aquele para fazer estreitar seu vinculo com as demais pessoas importantes
da empresa, blindar sua posição lá. Não era sua intenção levar Arthur, não
depois do que ele o fez passar da ultima vez, mas ele precisava mostrar para todos
que sua família estava bem, ele sabia como aquilo era importante para as
pessoas em suas posições, e dessa vez seu filho mais velho estaria com eles.

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