Capítulo IV - Concussão | DEVER & DESEJO
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Capítulo IV
Quando Arthur acordou e viu que não estava em seu quarto ele se assustou, mas logo lembrou do que havia acontecido na noite anterior, ele havia batido a cabeça e quase se afogou, alguém o havia salvado, quem era? Ele deveria agradecer a essa pessoa. Arthur tocou os seus lábio, lembrando de flashes da noite anterior, ele estava na festa até que seu pai o dispensou, sua mãe falava com algumas mulheres, ele achou melhor não incomodar nenhum dos dois então foi tentar achar algo para beber que não fosse álcool, ele com certeza era o mais novo naquela festa, não havia comida nem nada para beber, ele se sentiu frustrado. Aquela não era a primeira festa que ele iria, mas era a primeira que ele não contava com a presença de seu irmão. Seu pai gostava de levar seus filhos para se vangloriar, mas tirando os poucos segundo que Arthur e seu irmão eram apresentados eles não tinham muita serventia.
Arthur sentiu sua cabeça doer e seu braço também quando foi levá-lo de encontro com sua cabeça. A lembrança da notícia que recebeu no dia anterior voltou, junto com seu pai descobrindo através de outra pessoa, mas de quem? Ele lembrava que haviam três pessoas no quarto depois que ele acordou, mas não conseguia lembrar de ninguém além de seus pais, seu pai conversou com essa pessoa, ele sentiu vontade de perguntar quem era ele, mas sabia que não era o melhor momento, Arthur também lembrou de como seu pais estava furioso com ele e sua mãe.
- Arthur? – Cibelle, mãe de Arthur disse entrando no quarto do hospital em que Arthur estava dormindo – você está bem?
- Sim, o que aconteceu?
- Amor, você bateu a cabeça, teve que levar dois pontos e o médico disse que talvez tenha sofrido uma concussão.
- E o papai, onde ele está?
- Seu pai... Seu pai teve compromissos no trabalho, mas ele estaria aqui se pudesse.
- A senhora tem certeza? Depois de ontem....
- Seu pai te ama Arthur, ele só foi pego de surpresa, como todos nós.
- Me desculpe, eu....
- Era uma possibilidade, mas com o passar do tempo nada aconteceu então ele achou... seu pai como qualquer alf... bem ele não se atém aos fatos muitas vezes. – ela disse se corrigindo, talvez aquela ainda era uma ferida par Arthur, que muitas vezes acompanhou seu pai nos devaneios.
- Eu vou ter que ficar aqui até quando?
- O médico já te deu alta, estava esperando você acordar... Arthur você se lembra da noite de ontem?
- Sim! Quer dizer, eu sinto que esqueci de algumas coisas, mas me lembro de quase tudo, eu acho.
- O médico disse que é normal, você sofreu uma concussão, sua memória de curto prazo talvez seja prejudicada.
- Até quando?
- Não será para sempre, você só tem que descansar nos próximos dias.
- Okay...
- Falando nisso seu irmão quer falar com você.
- Você contou para ele? – Arthur perguntou assustado, não queria ter que carregar mais aquilo em suas costas agora.
- Ainda não, mas vai acontecer em breve – Arthur se sentiu aliviado, pelo menos com aquilo.
Haviam passado dois dias desde que Arthur acordou no hospital, ele finalmente havia sido liberado para ir para a escola, mas logo depois ele recebeu uma péssima notícia, ele não poderia voltar para a escola onde passou a vida inteira, devido a sua... condição, ele tinha que ir para uma escola especial. Arthur havia ouvido falar daquelas escolas antes, mas nunca deu atenção. Era uma escola privada onde só haviam alunos como ele.
- Porque eu não posso voltar para a minha escola, qual o problema dela?
- Você sabe Arthur, agora...
- Mas ela é uma escola integrada, tem todos os tipos de pessoas.
- Eu sei, mas não ser proíbo por lei não quer dizer que não seja mal visto.
- “Mal visto”? – Arthur disse, sua mãe respirou e se sentou com ele.
- Eu sei que você nunca pensou nisso antes, mas agora com tudo o que aconteceu você mais do que nunca tem que se importar com sua imagem. Quando alguém como nós vai a uma escola integrada as pessoas supõem certas coisas que mesmo não sendo verdade podem ficar com você o resto da vida.
- Por que eu devo me importar com a opinião das pessoas? Eu não me importo com o que possam falar de mim.
- Eu sei... – sua mãe parou por um momento, como explicar aquilo para ele – Mas isso é importante para o seu futuro, a sua imagem
- Minha imagem?
- Arthur.... – ela apoiou seu rosto em sua mão, Cibele não sabia como falar aquilo, ela sempre soube o que se era esperado dela desde que ela nasceu, mas Arthur, ele foi paparicado por seu pai com a ideia de sonhos, profissão, de lutar pelo que queria, e agora... como ela poderia contar para ele que o futuro que ele pretendia, que ele idealizou com seu pai não iria acontecer – a imagem pra as pessoas como nós – ela parou e deu ênfase no “nós” – é muitas vezes tudo o que eu nós temos, e no seu caso é mais ainda, você sabe o que acontece com a maioria dos garotos como você, o Colégio Sete Irmãs, é uma ótima opção, eles vão te tratar muito bem lá, eu mesmo estudei lá quando tinha a sua idade.
- Mas mãe...
- Arthur, foi isso que eu e seu pai decidimos, não iremos mudar de opinião – Cibele falou mais alto, ela não era boa naquilo, não sem seu marido.
- Eu não vou estudar em um colégio para maricas – Arthur disse agora com raiva, mas ele logo se calou quando recebeu um tapa no rosto.
- Vá já para o sue quarto, e só saia quando você pedir desculpas – Arthur se chocou com o tratamento de sua mãe, ela nunca havia levantado a mão para ele antes, mas ele ainda continuou com sua raiva e subiu para o seu quarto bufando.
Arthur não jantou com naquela noite, não queria olhar para sua mãe, como ela teve coragem de fazer aquilo com ele, ela nunca tinha feito algo do tipo na sua vida, e agora que ele questionava o fato de ter toda a sua vida tirada dele, seus amigos, seus professores ela o bateu.
Quando ele acordou na manhã seguinte não havia ninguém em sua casa, seu pai havia ido trabalhar e sua mãe saído para algum lugar que nenhuma das empegadas sabia.
- Seu Arthur – uma das cozinheiras o chamou batendo em sua porta.
- O quê? - Ele falou ríspido por ter sido tirado da cama.
- Chegou algo para você.
- O quê, uma encomenda?
- Sim
- Eu não pedi nada – ele disse para ele mesmo, será que foi algo que seu irmão o mandou? Ele desceu as escadas e viu uma cesta na mesa que ficava em frente a porta do saguão.
- É isso? – ele perguntou para a empregada
- Sim
Quando ele se aproximou e viu que havia um bilhete com seu nome escrito na frente do pequeno envelope, quando ele abriu havia um cartão.
“Desejo melhoras – Alexandre Johan”

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