Capítulo 7 | JUST US ENTRE PAI E FILHA

Emily se olhou no espelho mais uma vez e respirou muito forte, ela queria arranjar coragem, coragem para dizer a George, ela não sabia como ele reagiria com aquilo, ela guardar tudo aquilo, por tanto tempo dele. Na verdade ela não achou que iria tão longe, ela pensava tão pouco dela mesma e de suas conquistas que passar no vestibular nunca passou pela sua cabeça, mesmo com apenas vinte e cinco anos ela já se sentia velha demais para aquilo, mas por outro lado ela pensava mais e mais em se formar em engenharia civil, ela podia até dizer que aquele era seu sonho.
Já faziam alguns anos desde que Emily pensou pela primeira vez em ser engenheira, mas ela não tirou muito daquilo, e dois anos depois ela estava ali, com a carta de admissão para a faculdade. Ela estudou muito nos últimos meses para passar na prova, mas uma ponta de si sempre dizia que tudo aquilo não iria funcionar, ela já tinha perdido a sua chance, mas ter a carta de admissão em suas mãos a comprovava errada, da melhor maneira possível.
Aquela voz no fundo de sua cabeça foi quem impediu Emily de contar para seu marido de sua decisão, a primeira de estudar para o vestibular nas horas vagas, depois a de se inscrever em todas as faculdades noturnas ao seu redor. Contanto que ela continuasse a mesma mãe e mulher de sempre, ele não notaria e não faria um grande escarcéu se ela não conseguisse, mas agora o inimaginável aconteceu, Emily superou suas próprias expectativas, ela era boa, ela só havia se esquecido disso.
Ele preparou o jantar para Gregory que foi dormir logo depois, Emily então esperou seu marido, George chegava muito tarde em casa, e quando chegava cedo ficava trancado dentro de seu escritório continuando seu processo inacabável de trabalho. George estava se distanciando tanto de Emily quanto de Gregory e ela conseguia sentir isso, mesmo com seu filho, Emily se sentia sozinha, George era a única pessoa próxima à ela, Emily sempre mantinha distância das outras pessoas, algo em sua cabeça sempre a dizia para se afastar antes que alguém descobrisse o seu segredo, ela não tinha uma vida social, ela tinha apenas George, e nas últimas semanas parecia que nem isso ela tinha.
Esse afastamento foi o que fez com que Emily pensasse cada vez mais em cursar a faculdade, e dessa vez parecia ser o momento certo, com Greg na escola, ela tinha muito mais tempo para si e para os estudos, o vestibular foi um desafio que ela deu a si mesma, e quando ela passou Emily ficou na dúvida se ela teria a coragem de ir para a frente. Depois que ela e sua família se mudaram de cidade ela tinha em sua mente que ela deveria arranjar um emprego para, assim como antes, poder ajudar seu pai, mas as tarefas e Gregory foram consumindo ela de uma forma que ela nunca nem procurou algo, e a ideia de Emily ficar em casa com Gregory nunca foi mal vista para George, ele queria recompensá-la pelos anos em que ela teve que trabalhar para que os dois pudessem manter a casa, ele queria recompensá-la por não ter dinheiro para mandá-la para a universidade quando ela terminou a escola. Emily não guardava aquilo em seu coração, ela sabia como estava a situação da família, e naquele momento um trabalho era melhor.
Mas agora era diferente, George tinha reestabelecido as condições de sua família, e pouco a pouco ressarcia o valor liquido dos Fosters, e isso fazia com que Emily se sentisse orgulhosa de seu marido, ele batalhou muito para dar a infância que ela teve, e ainda mais quando sua mãe morreu e sobraram apenas os três. Mas Emily se sentia ainda mais orgulhosa quando ela podia ajudar seu grande amor, quando os dois trabalhavam e moravam naquela casa de apenas um quarto, era o momento em que ela se sentiu mais orgulhosa por poder ajudar George, por sentir que ela estava fazendo algo por ele.
Talvez esse seja o motivo pelo qual ela tenha escolhido engenharia, a mesma área em que seu marido trabalhava, ele não era apenas seu grande amor, mas também uma aspiração, ela amava ouvir George contar de como ele começou dos zero, duas vezes, até chegar no cargo em que estava, ela queria pode fazer o mesmo poder ter uma carreira, e de alguma forma ajudá-lo.
- Em? – George disse quando encontrou sua esposa na cozinha, naquela hora da noite – o que você ainda está fazendo acordada essa hora?
- Eu estava te esperando.
- Por quê? Aconteceu alguma coisa? – George se aproximou de sua esposa que estava sentada no banco na frente do balcão de mármore que ficava no centro da cozinha, ele e beijou na testa e os dois se abraçaram.
- Não, eu queria conversar com você, eu te esperei para o jantar, mas foi ficando tarde.
- Sim, me desculpa, sei que falei que chegaria cedo, mas o trabalho foi se acumulando – ele disse.
- Não, tudo bem, já estou acostumada a jantar sozinha.
- Meu bem... – George olhou para os olhos de sua amada – me desculpe, te dar o bolo não é minha intenção.
- Eu sei, mas mesmo assim é o que você faz.
- Emily... – George disse, Emily se levantou e se afastou em direção à sala, mas ela parou antes de sair.
- Sabe, eu venho escondendo algo de você – ela disse.
- O-O quê? – George disse pensando em diversas coisas que poderia sair da boca dela.
- Eu... Eu estou estudando à algum tempo.
- Estudando? Para quê?
- Quando a escola acabou em mal tive tempo para sequer me inscrever para as universidades, eu nunca soube se eu seria aceita, então eu estudei e prestei vestibulares.
- Prestou?
- Sim, e eu passei na maioria.
- Mas é claro – George se aproximou mais uma vez, ele colocou suas mãos ao redor do rosto de Emily – você sempre foi bem na escola. Mas porque você me escondeu isso?
- Eu não sei... – ela olhou para o chão – eu não achei que iria passar, e eu não queria que você soubesse se eu não conseguisse, se eu fosse um fracasso.
- Querida, você não é um fracasso, você nunca foi.
- Eu sei... eu... passei.
- Sério?
- Sim. Engenharia.
- Que tipo de engenharia?
- Civil, como você – Emily disse, George sorriu.
- Você não precisa se você não quiser, se isso for algum tip...
- Não, eu quero! Eu realmente quero.
- Você tem certeza?
- Sim.
- Quando você começa?
- No próximo mês.
- Bem, nós vamos ter que nos adaptar, mas nós já conseguimos passar por coisa pior, e isso é bom. É por um bom motivo.
- Você tem certeza? E o Greg...
- Nós arranjamos uma babá, eu venho do trabalho mais cedo, eu o levo, nós arranjaremos um jeito, como sempre fizemos, está no nosso DNA, não é?
- S-Sim – George e Emily se abraçaram, aquele foi o momento em que Emily se sentiu realmente perto de seu marido.
- Mas antes nós temos que fazer uma coisa – George olhou para Emily e segurou suas duas mãos, ele olhou no fundo dos olhos dele e disse: – você aceita se casar comigo?


Emily não poderia se casar com George, não legalmente, mas alguns anos atrás ele coincidentemente ele teve a oportunidade de trabalhar com John. John era um homem estranho cheio de segredos, mas por algum motivo ele gostou de George, de sua ética de trabalho e disse que se ele precisasse de qualquer coisa George poderia contar com ele. John estava em um ramo de trabalho não muito bem visto, ele era um falsificador, um ótimo falsificador, principalmente quando o assunto era documentos, então George simplesmente pediu um favor à John, dois na verdade.
Uma semana antes de se inscrever na faculdade estava tudo pronto, Emily não era mais Emily Foster, mas sim Emily Smith, ele tinha um novo numero de seguro Social, e nenhum pai ou mãe, ver aquele documento doeu um pouco, de certa forma com aquilo ela estava apagando a última lembrança de sua mãe, que tinha sido tão boa com ela, mas era necessário, aquele também seria o último passo para a nova vida que eles viviam, Emily não podia dizer que era a mãe de Gregory quando ele tinha uma consulta no médico e era George que resolvia qualquer coisa relacionado a escola dele, Emily era sua mãe, e Greg seu filho. George disse que ela teria que assinar alguns papéis como Emily Smith para oficializar a adoção de Greg como seu filho, aí sim tudo estaria perfeito.
- Você tem certeza que podemos confiar nesse tal de John?
- Não, esses documentos são originais, John tem um contato no cartório, eles só adicionaram uma nova pessoa no sistema do governo, vai por mim, pelo preço que pagamos por esses pedaços de papeis é melhor mesmo.
- Sim
- Mas temos ainda um problema.
- Qual?
- Aqui consta Emily Smith e solteira, temos que mudar isso não é mesmo?
- Sim – Emily sorriu, os dois se beijaram, ela estava feliz ela não poderia imaginar que aquilo realmente aconteceria, por tantos anos ela reprimiu seus sentimentos por George, e quando seus sonhos se realizaram ela se contentou a ficar nas sombras, estar perto de seu amado era mais do que ela podia querer, mas agora poder se casar e ter Gregory como seu filho, e realizar seu novo sonho de me formar.


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