Capítulo 06 | BOYS
BOYS
{capítulo_006}
Depois que a aula do professor John acabou todos nós tivemos um tempo antes da próxima aula, a escola sabia o que normalmente acontecia entre os alunos na primeira noite de trote, então eles não pegaram pesado com a gente, eles deixaram esse trabalho para os veteranos. Na frente da escola, havia um grande espeço verde e vários bancos de pedras, eu me sentei em um deles e fiquei matutando em minha cabeça, meu coração batia mais acelerado, eu estava com vergonha, ficava pensando em Gregory e como eu falaria com ele sobre minha decisão, pensar em falar aquilo e voz alta me deixou nervoso.
Eu parecia tão clichê, em imaginar Gregory e eu... eu não queria pensar nele daquele jeito, mas cedo ou tarde eu...
- Thomas? – disseram enquanto eu falava comigo mesmo, era Spencer.
- Oi – eu disse, não estava mais com raiva dele, mas não queria que ele soubesse daquilo.
- Eu posso me sentar? – ele disse.
- Faz o que você quiser.
- Eu... – ele se sentou do meu lado – me desculpa, eu não sabia, o que o Otavio fez, foi horrível eu...
- Não é sua culpa – eu disse cedendo – você não fez aquilo, e o Otavio, bem ele é seu irmão e fez aquilo para te proteger.
- Sim, mas... ele me disse o que acontece nessa escola e... aquele menino ontem ele...?
- Não! Ele...ele disse que não gosta de fazer... a força.
- Que bom, então você ainda vai ficar no quarto dele?
- Eu não tenho escolha tenho? Ele disse que não iria fazer nada comigo, mas o jeito que ele fala talvez ele não fique assim para sempre, eu penso e se ele... Hoje na aula, eu ouvi que ontem a noite aconteceram tantas coisas horríveis, eu seria hipócrita em dizer que eu não tenho sorte.
- Sim, o rosto de todo mundo hoje, todos estavam acabados.
- Sim, nem todos temos nossos irmãos para nos defender.
- Eu...
- Eu sei... Mas Gregory intimida as pessoas, você viu hoje de manhã, talvez se eu concordar em ficar com ele, ele me proteja do restante das pessoas?
- Sim, talvez. Eu ainda não consigo entender porque meu pai deixaria eu e Otavio estudar aqui se ele sabia de tudo isso – Spencer disse olhando para chão, eu não tinha pensado naquilo pois fora Tassio, meu padrasto, que havia me colocado aqui, mas ter sua própria família, seu pai de sangue que te ama te colocar nesse lugar sabendo de tudo isso...
- Deve ser difícil. – Eu disse, ficamos sentados um do lado do outro sem falar muito depois daquilo – Você já ouviu o motivo de sermos os primeiros calouros no dormitório em anos?
- Sim foi uma punição...
- Eu sei, mas depois de ontem a noite você acha que foi algo relacionado a isso?
- Eu não sei. Mas todos os veteranos hoje eram calouros quando tomaram a punição, então eles devem saber...
- O Otavio nunca te contou nada?
- Não, ele só e contou o que aconteceu ontem por que eu insisti, ele não é do tipo de compartilhar muito, mas eu sei que depois do primeiro ano dele aquilo ele voltou para casa muito pálido, magro e se assustava com qualquer coisa.
- Você acha que os veteranos daquela época passaram do limite?
- Existe algum limite nesta escola? – Spencer disse, ele tinha razão, se o que aconteceu com aquele menino na floresta era “normal” o que teria acontecido em nosso dormitório para eles sofrerem uma punição daquelas?
Enquanto conversávamos sobre tudo o que tínhamos ouvido do trote que havia acontecido no dia anterior, Spencer disse que alguns dos garotos do bloco 1 também entravam naquela “caçada” pois era a uma das únicas formas deles conseguirem “calouros”, aquele Lucas tinha realmente mencionado algo sobre caçar, e Gregory ele foi para algum lugar à noite enquanto eu estava trancado no quarto. Os pequenos comentários que eu tinha escutado por todo os lugares iam fazendo mais sentido com o tempo que eu passava naquele lugar, eu nunca imaginaria, mas todas as pessoas ao meu redor tinham um lado malicioso por de trás, o que eles ganhavam fazendo aquilo? Apenas propagavam mais essa tradição horrível entre os alunos. Eu sabia que teria de ter muito cuidado no próximo ano, mas eu tinha certeza de que eu nunca faria parte daquilo assim que eu deixar de ser “calouro”.
- Olhe lá – Spencer disse e apontou para minha diagonal, era Gregory, ele estava em um grupo de garotos conversando debaixo de uma árvore, ele estava no centro e parecia que todos estavam ali por ele – o sinal vai tocar daqui a pouco.
- Eu sei – olhei no relógio, meu coração batia mais forte, eu não queria ter que encará-lo, mas arrancar o band-aid de uma vez seria o melhor. O sanduíche que eu havia comido estava se revirando em minha barriga quando eu me levantei e fui em direção de Gregory.
- Gre... Gregory? – eu disse quando cheguei nele e em seu grupinho.
- O que foi? – ele disse, ele estava encostado de costas para a árvore e tinha uma perna levantada onde ele escorava seu braço direito.
- Eu... Podemos conversar? – eu disse.
- Fala!
- À sós.
- Não
- Eu...
- Fala logo – ele tinha se irritado, eu fiquei parado sem reação, não queria dizer aquilo com tantas pessoas ao redor – vaza – ele disse por resto do grupo, eles se levantaram e foram embora – fala agora, você colocou juízo na sua cabeça e vai me dar logo? – era exatamente aquilo que eu iria falar para ele, não daquele jeito, mas... mas ele tinha me irritado com aquele comentário.
- Não! – eu disse alto.
- Então o que foi?
- Eu... Eu só queria agradecer pelo café da manhã – eu disse tentando arranjar algum motivo – e...
- “E...”?
- E, para agradecer eu vou fazer um favor para você
- Favor? – ele disse malicioso.
- Eu... Eu vou limpar o quarto, só isso!
- Você me atrapalhou para isso? Você já ia limpar o quarto de qualquer jeito.
- O quê? – eu disse, ele se levantou e ficou cara a cara comigo.
- Você é o calouro e eu o veterano, e eu não sou qualquer veterano, eu sou “o veterano – ele se aproximou do meu ouvido – e o relógio está batendo e a minha paciência está acabando – ele falou aquilo e foi embora, não antes de dar um tapa forte em minha bunda.
O sinal tocou e eu voltei para a aula, não tivemos muita coisa, só apresentações e comentários de segundas intenções dos professores, quando eu voltei para o bloco 1 com Spencer tinha poucos alunos, a maioria passava o tempo em outros lugares, mas eu e Spencer mal conhecíamos o campus e achamos melhor ficarmos em um lugar onde de certa forma tínhamos alguma proteção, não sabíamos o que poderia acontecer.
Spencer foi para o nosso quarto, quer dizer para o quarto dele e eu para o meu mais novo quarto, estava uma bagunça, parecia pior de quando eu tinha deixado se era possível, eu dei um grande suspiro só de pensar que seria eu que limparia tudo aquilo.
Primeiro eu comecei arrumando minha própria roupa dentro do meu armário, parte dele, porque Gregory tinha tomado conta dos dois com suas tralhas, depois de dobrar e colocar tudo em seu devido lugar como eu tinha feito no outro quarto eu fui para o restante do quarto, arrumei todas as roupas de Gregory em um pilha e a amarrei em um dos lençóis, não vou mentir, meu orgulho se feriu um pouco quando tive que pegar nas cuecas de Gregory, mas aquilo era minha culpa, eu e minha boca grande que não abre nas horas certas.
Otavio tinha mencionado sobre a lavanderia no porão do dormitório, com a idade daquele prédio eu não pensei muito bem sobre o porão, e não me surpreendi quando cheguei lá, era um lugar escuro um pouco mais alto do que eu e tinha apenas uma mesa de madeira grande onde coloquei a trouxa de roupas e quatro maquinas de lavar e uma secadora e um pote de sabão em pó que parecia estar lá a anos, alguém ali lavava as suas roupas?
Eu separei as roupas coloridas e brancas, os lençóis e o uniforme e coloquei nas maquinas e me sentei em cima da mesa, não havia outro lugar para eu me sentar, e eu me recusava a tocar naquele chão sujo, a primeira maquina tinha acabado de lavar, eram as camisas do uniforme de Gregory, eu as peguei e levei para a secadora, eu as cheirei levemente, tinham o cheiro do sabão em pó e de alguma coisa a mais, mas estavam melhores do que antes, enquanto eu via as roupas rodarem na maquina eu pensei que não receberia nenhum obrigado de Gregory por aquilo, eu me desanimaria fácil, mas aquele era apenas o meu segundo dia, eu teria muitos outros dias para me decepcionar, então eu guardaria para aquele momento.
Assim que as camisas brancas ficaram secas eu as coloquei em cima da mesa e peguei o restante de roupas de Gregory que já tinham sido acabadas de lavar e coloquei na secadora, que parecia que iria explodir, não acho que ela tinha sido usada daquele jeito em muito tempo. Enquanto dobrava as camisas na mesa e ouvi um barulho, era a porta do porão sendo aberta, por um momento eu tive medo de que fosse algum fantasma, mas me aliviei para ter medo quando vi que era uma pessoa real que poderia me fazer mais mal ainda.
Era um menino alto, cabelos raspadas e de pele escura que estava com uma cesta com roupas, eu não sabia o que fazer, correr, gritar ou fingir que nada estava acontecendo, eu pensei em sair correndo de lá quando a porta se fechou e apenas nós dois ficamos sozinhos naquele lugar escuro e longe de todo mundo. Mas deixar as roupas que eu tinha lavado e que estavam lavando me deixou com pena por isso eu continuei a dobrar as camisa e dei um “olá” com minha cabeça quando o menino passou por mim, meu coração tremia quando ele fez aquilo. Ele foi para a maquina vazia e colocou as suas roupas, quer dizer roupa, eram apenas duas camisas.
- Você é o aluno novo? – ele perguntou enquanto se escorava do meu lado na mesa.
- S-Sim – eu disse nervoso, continuei dobrando.
- É seu segundo dia e você já tem tanta roupa suja assim.
- Sim, quer dizer, não, elas são do meu colega de quarto, o Gre...
- Ah sim – ele me interrompeu quando iria dizer o nome de Gregory, minha única saída daquilo – você está gostando daqui – ele perguntou, por um minuto a voz dele me pareceu familiar.
- Você não estava aqui ontem à noite – eu disse sarcástico.
- Não, eu estava cansado e fui dormir cedo.
- Ah, sério?
- Sim, eu não sou muito de confraternizações também – ele disse, será que ele era um dos garotos que não concordavam com o que acontecia ali? Otavio mencionou que eles existiam, então... A secadora tinha parado, aquela era a última leva com os lençóis, eu me aliviei, eu fui para a secadora e me abaixei para egar os lençóis.
- Qual o seu nome? – o menino perguntou da mesa.
- Thomas – eu disse abaixado, quando eu me levantei tomei um susto por o menino estava atrás de mim, eu tentei sair dali, mas ele me prendeu entre ele e a secadora.
- Thomas é?
- O que... o que você está fazendo.
- Nada, só aproveitando enquanto eu tenho tempo – ele segurou em minha cintura e me apertou enquanto ele começou a beijar as costas de meu pescoço.
- Eu...
- Xiii – ele disse – eu ouvi dizer que ninguém te comeu ainda, o que deu no Gregory? Ele nunca foi de desperdiçar.
Ele me virou para sua frente, eu estava atônito, não sabia oque fazer, eu sentia ele me pressionar, eu tentei empurra-lo com meus braços, mas ele os segurou com força, aonde tinham me amarrado então eu gemi de dor, ele riu daquilo, foi então que eu lembrei da voz dele, ele era o garoto me segurando enquanto o restante humilhava Spencer, e ele tinha dito.
- Não se preocupe o que é seu está por vir – ele disse, eu havia me lembrado dele – você se lembrou? – ele riu – eu disse, e eu sempre cumpro o eu digo – ele pegou meu braço direito e colocou dentro de sua calça, eu senti o membro dele duro pulsar quando eu o toquei a força, eu tentei tirar minha mão de lá, mas ele me segurava – agora seja um bom calouro e faça o que eu mando.
- Não, eu..., por favor – eu tentei dizer – ele pressionou mais contra a secadora e apertou minha bunda enquanto tentava tirar meu short.
Em um momento de idiotice eu peguei em seu membro, ele havia gostado daquilo, então ele deixou minha mão solta, então e abaixei mais minha mão e segurei os testículos dele e apertei com toda a minha força, ele gritou como se tivesse tomado tiro e me largou enquanto ele se abaixou e para segurar sua virilha, eu comecei a correr, mas ele havia segurado minha perna, e eu caí no chão, ele me chutou para que eu virasse em sua direção, ele estava com uma cara horrível, eu não deveria ter feito aquilo, ele pisou em minha barriga e foi botando mais força, eu tentava segurar sua perna, mas ele era mais forte.
- Você vai ter o que é bom para tosse – ele disse, ele ainda segurava sua virilha, ainda doía.
- Ele vai é? – eu ouvi alguém dizer da porta, eu olhei na direção e era Gregory, eu me aliviei quando eu ouvi a voz dele, a pressão do pé do garoto passou, mas ele ainda me prendia no chão.
- Greg... eu – ele disse – Gregory se aproximou de nós e só com um olhar fez com que o menino me soltasse- eu... eu posso explicar ele – ele apontou para mim – ele quis ele me fez... – Gregory pegou ele pela camisa e o levou para fora do porão, eu queria os seguir e ver o que Gregory ia fazer com ele, mas minha barriga estava doendo e eu demorei para me levantar.
Eu me escorei na mesa e fiquei lá parado, não sabia o que fazer, eu quase fui... eu queria chorar, mas não me permiti, não iria demonstrar fraqueza, não ali, não naquele momento. Eu voltei para a secadora e tirei o restante de roupas de lá e coloquei tudo na cesta de roupas que o outro garoto tinha trago, ele me chutou e eu o deixei estéril, roubar dele não iria ser a pior coisa na vida dele naquele dia.
Quando e cheguei em meu quarto eu forrei as duas camas e coloquei as roupas de Gregory em dobradas em seus devido lugar e pendurei suas camisas dentro do armário, eu também fiz questão de deixar todas as roupas dele em seu próprio armário livrando o meu paras as minhas próprias coisas. Eu me sentei em minha cama, e comecei a pensar no que tinha acontecido, minhas lagrimas queriam voltar, não podia ficar sem fazer nada, tinha que fazer, algo, peguei minha toalha e desci para o vestiário para tomar um banho, graças a deus ele estava vazio, eu me despi e tomei meu banho, demorei mais que o normal, minha mente sempre voltava para aquilo, e eu sempre queria me esquecer, quando voltei para o quarto coloquei meu uniforme dentro do armário e vesti uma cueca, foi quando Gregory entrou no quarto, eles estava cansado, respiração pesada.
- O que aconteceu – eu perguntei, ele se sentou em sua cama, eu vi que as costas das suas mãos principalmente seu punho estavam avermelhadas – Gregory? – eu falei, ele pareceu não me ouvir – Gregory? – ele estava com a mente em outro mundo, eu me aproximei dele, foi quando ele finalmente voltou a si
- O que foi? – ele disse
- Nada eu... – eu estava ajoelhado na sua frente – obrigado – eu disse.
- Eu não ia deixá-lo encostar no que é meu – eu não gostei de ouvir aquilo, mas deixei passar.
- Você está bem?
- Sim, por que não estaria.
- Você parecia estar e outro universo agora
- Eu... – ele olhou ao redor – esse lugar está limpo – ele disse querendo mudar de assunto.
- Sim eu limpei para variar
- Você não fez...
- “Mais que a minha obrigação” eu sei – disse, eu tentei me levantar e sair daquela posição, mas Gregory segurou meu rosto e eu parei.
- Obrigado – ele disse, nós nos olhamos olho a olho, ele não era uma pessoa tão ruim eu pensei naquele momento, tentei lembrar de todas as coisas ruins que ele disse, mas naquele instante eu só conseguia pensar naquele obrigado e em como aquilo fazia meu corpo esquentar. Ele me beijou, e eu o beijei, aquele não era meu primeiro beijo, mas eu nunca tinha sentido aquilo por ninguém, muito menos um garoto enquanto eu o beijava.

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