Capítulo 04 | BOYS

Otavio não me respondeu, ele foi interrompido com uma algazarra do lado de fora, eram os garotos que estavam no banheiro – Abre a porta Otavio – Gregory gritou do outro lado, ele tentou abrir a maçaneta, mas a porta estava trancada.
- Eu... Eu vou explicar tudo, depois, mas por favor toma conta do Spencer, eu tenho que falar com eles – Spencer saiu do quarto e trancou a porta novamente, eu escutei mais uma algazarra e as vozes foram sumindo até que sumiram, todo o lugar ficou em um silêncio mortal, eu estava trancado em um quarto estranho apenas de cuecas, estava um pouco frio, eu tremi um pouco e me sentei na cama do lado de Spencer.
- Tudo bem? – eu disse tocando nele, ele estava tremendo muito, eu me levantei e procurei por uma toalha, quando achei uma eu a molhei e fui em direção de Spencer , me sentei ao seu lado e comecei a limpar o seu rosto, ele estava chorando – vai ficar tudo bem... – eu disse
- O que aconteceu? – ele finalmente disse depois que eu terminei de limpar ele.
- Se eu soubesse.
- O-Obrigado.
- Pelo o que?
- Por ter tentado derramar aquilo.
- Não, eu que tenho que pedir desculpas, se não fosse por aquilo eles não teriam...
- Eu sei, mas você pelo menos tentou fazer algo, eu fiquei lá parado sem fazer nada.
- Não é sua culpa, é deles esse colégio é...
- Esquisito – ele disse, e nós dois rimos daquilo.
Nós dois ficamos ali por um tempo, Spencer estava mais calmo, ele bebeu água e já tinha voltado a falar. Aquele era o quarto de Otavio, ele era o representado do dormitório então ele tinha aquele quarto que era melhor, ele tinha mencionado antes.
Tínhamos voltado ao normal, como se nada tivesse acontecido horas antes, Spencer até adormeceu, mas meu medo voltou quando alguém destrancou a porta, por um minuto eu fiquei com medo, mas eu me aliviei quando Otavio apareceu do outro lado da porta, ele fechou a porta, não trancou.
- Spencer – ele disse e foi em direção ao seu irmão, e ele o abraçou – ele está bem? – ele perguntou para mim
- Sim, ele tomou um pouco de água, eu limpei ele e ele dormiu – eu disse.
- Que bom 
- Então? – eu disse
- O que foi?
- Você vai me explicar o que aconteceu?
- Eu... – ele olhou para o relógio – é porque você não se senta?
Eu me sentei em uma cadeira e ele ficou em pé na minha frente – Bem, sendo direto ao ponto, a St. Vincent tem trotes com os calouros, mas diferente de universidades que é opcional, como todos moramos aqui, todos os calouros participam obrigatoriamente, com os anos os trotes foram piorando e se intensificando, começou como alguns dias, mas hoje os “trotes” duram o ano inteiro, os calouros viraram uma espécie de escravos para os veteranos, e eles tem que aguentar tudo quieto, já que todos aqui na escola e na família estudaram aqui, todos compactuam com isso, “se eu sofri e aguentei o meu trote porque você não pode aguentar o seu” – Gregory tinha dito a mesma coisa.
- Os trotes pioram a cada ano, todos guardam rancor e descontam nos novos calouros, e juntando com a testosterona e o fato de não haver nenhuma mulher aqui não demorou muito para tudo isso virar um jogo de sexo e poder.
- O que?
- Os veteranos transam com os calouros,
- Eles abusam dos calouros?
- Não, na maioria das vezes, os calouros estão tão desesperados em fazer parte que eles fazem tudo o que podem, mas há alguns casos, mas ninguém fala sobre isso já que nenhuma denúncia ia surtir efeito.
- Como a maioria daqui é rico e de família importante de duas ou uma, ou a família do acusador família impede de fazer qualquer denuncia já que ia sujar o seu sobrenome, ou a família do acusado encobre tudo com dinheiro, então ninguém realmente faz nada sobre isso.
- Então tudo aquilo é normal?
- Não, nos últimos anos alguns veteranos não tem participado desse “ritual sem fim”, todos os dormitórios menos o nosso, e o nosso tem a fama de ser o que mais pega pesado com os calouros, tanto que a escola puniu a gente, e se a escola chegou ao ponto de punir a gente significa que foi realmente pesado.
- Por isso nenhum calouro entrou aqui por tanto tempo?
- Sim, e isso só deixou alguns dos alunos aqui com bastante raiva, já que eles tiveram que aguentar o ano de calouro, mas não tiveram a chance de descontar nos novos alunos.
- Gregory – eu disse.
- Sim, ele é um dos que são mais tradicionais com o jeito que a escola funciona, por isso que ele...
- Então nós temos que aguentar isso calados?
- Vai por mim é melhor assim.
- Você diz isso porque não é você no...
- Seu lugar? Esse não é um bom argumento, todo mundo aqui passou por isso, ou você aceita ou você sofre, de qualquer jeito vai acontecer.
- Eu... – A porta se abriu me interrompendo.
- Cinco minutos Otavio – alguém disse, era Gregory.
Gregory se levantou – me dê mais uns minutos eu preciso...
- Não, combinado é combinado- Gregory disse, ele entrou no quarto e foi em minha direção e me pegou pelo braço, eu tentei me soltar, mas Gregory com apenas uma mão era mais forte do que eu.
- Otavio! – eu gritei por ajuda, mas ele ficou parado em pé me olhando ser puxado para fora do quarto por Gregory – Otavio! – eu gritei novamente, eu e Gregory já estávamos na escada.
- Ele não vai te ajudar dessa vez- Gregory disse – na verdade ele foi quem te jogou na boca dos leões.
- O quê?
- O Otavio fez um acordo com a gente.
- O quê?
- Não se finja de surdo, eu não gosto de me repetir 
- Que acordo – eu perguntei, mas Gregory não me respondeu, ele apertou ainda mais sua mão em meu braço, que estava começando a ficar dormente, ele me levou para o segundo primeiro andar, tinha vários garotos fora no corredor, eles estavam esperando por nós, eu tentei fugir mais uma vez, só que não consegui, Gregory me arrastou até um quarto que a porta estava aberta e me jogou no chão, ele foi fechar a porta, mas alguns garotos não gostaram.
- O que foi? – um garoto do outro lado da porta disse – nós não íamos nos divertir?
- Não, eu mudei de ideia, hoje ele é só meu- Gregory disse, o menino não gostou nada disso, e outros garotos no corredor também reclamaram – alguém discorda de mim? – Gregory falou alto e com raiva, todo mundo se calou, ele fechou a porta e eu não ouvi mais nenhum barulho vindo de fora.
O quarto, que devia ser de Gregory, estava uma completa bagunça, haviam diversas peças de roupas e do uniforme no chão, assim como tênis e sapatos, além de varias cuecas, eu senti um pouco de nojo por estar naquele chão seminu – vem aqui – Gregory estendeu sua mão, eu não queria mas eu a segurei e ele me levantou.
- Hoje é seu dia de sorte calouro – ele disse se aproximando de mim, ele segurou minha cintura e nossos rostos quase se tocavam, eu tentava me distanciar dele, mas ele me segurava e me puxava de volta.
- Eu tenho um nome – eu disse o contrariando.
- Ah é? – ele riu, eu conseguia sentir sua respiração quente em meu rosto – e qual é.
- Tho... Thomas – eu disse nervoso, meu coração palpitava de medo toda vez que ele chegava mais perto de mim – eu não em importo com tradições.... eu não vou dor... – ele colocou seu dedo indicador em minha boca me calando.
- Você não tem escolha – ele disse, sua voz estava baixa, mais suave, se eu não o conhecesse, diria que ele era uma boa pessoa, atraente até.
- Eu...
- Xiii – ele continuou, ele se aproximou do meu pescoço e começou a me beijar, eu tentei sair dele, mas seus braços em meu corpo me impediam, agora ele me segurou mais forte e eu conseguia sentir seu membro duro dentro da calça – como eu disse... – ele segurou minha cabeça e continuou me beijando subindo até minha boca – hoje é seu dia de sorte – ele tentou me beijar, mas eu fechei minha boca, ele encobriu meus lábia com sua boca, ele tentava colocar a língua dentro de minha boca, mas eu não deixava, mas ele não desanimou, ele já estava acostumado com aquilo – hoje eu não vou te comer – ele disse no meu ouvido – quer dizer não se você não quiser.
- Eu... – eu tentei dizer.
- Meu acordo com o Otavio, ninguém vai te obrigar a fazer nada a força.
- Então se for assim, eu não vou fazer nada – eu disse.
- Tudo bem, nós vamos ter o ano todo, uma noite a menos não vai fazer diferença.
- Como assim?
- Eu fiz um acordo com Otavio, eu não faço nada com o irmãozinho dele, ele não abre a boca paro o Vaughn, e eu e o dormitório temos você só para nós.
- “Para nós”? – eu perguntei, ouvir aquilo fez todo meu corpo tremer e congelar, Otavio realmente tinha feito aquilo? Eu não o conhecia, mas depois daquele dia ele e Spencer pareciam as únicas pessoas sanas daquela escola, e quem eu realmente tinha gostado – Otavio não faria isso.
- Sim ele faria, e fez, o Otavio não é o santinho que todos acham – Gregory se aproximou de mim eu fui para trás e fechei meus olhos – eu não vou te machucar – ele disse – e não se preocupe – eu não vou te machucar, muito – ele encostou em meu ombro e nós nos olhamos nos olhos, Gregory riu de seu próprio comentário – ele se aproximou mais ainda de meu rosto e falou bem perto do meu ouvido – e eu não gosto de dividir minhas coisas – pelo menos enquanto eu não fico entediado
- Eu... Eu não sou seu – eu disse me afastando dele com raiva – eu não sei o que acontece nesse dormitório, e o mais importante eu não me importo com nada disso, você não vai fazer nada comigo, e ninguém vai! – eu gritei, Gregory se sentou em uma das camas, a que tinha menos bagunça em cima.
- Como eu disse, eu não gosto desse tipo de coisas.
- Não foi o que parecia no vestiário – eu disse.
- Bem, aquilo foi uma cerimônia, alguém tinha que tomar ação, e nenhum daqueles idiotas tem disposição de fazer algo – ele disse, ele deitou suas costas na cama e colocou seus dois braços atrás de sua cabeça, sua camisa branca subiu um pouco e revelou parte de sua barriga e seus poucos pêlos claros que se uniam com seus pelos pubianos que estavam um pouco a mostra.
- Nada daquele tipo vai acontecer de novo, não é?
- Não, fazer aquilo com duas pessoas é incrivelmente chato, e ninguém faz certo, quando eu estava no seu lugar... – ele disse, ele parou no meio da frase como se algo tivesse acontecido ou como se ele tivesse lembrado de algo, ele olhou para o nada e não disse mais nada.
- Então... – eu disse depois de um tempo – já que é assim eu vou voltar para o meu quarto – eu disse indo para a porta.
- Não! – Gregory disse – Você já está no seu quarto.
- O que?
- O acordo com Otavio, você vai ficar no meu quarto até... até quando eu me enjoar de você.
- Você não pode fazer isso – eu disse.
- Não, mas o Otavio pode, e ele já fez, o acordo é você se revezar em todos os quartos do dormitório, mas se eu disser que você vai ficar aqui ninguém vai me contrariar.
- Você se acha não é mesmo?
- Não, eu não me acho, eu SEI que eu tenho poder nessa escola, meu sobrenome dá esse poder.
- Seu sobre...
- Williams – ele me interrompeu.
- Isso deveria significar alguma coisa para mim?
- Você não sabe nada de finanças não é mesmo?
- Porque eu seria?
- Bem, minha família é muito rica, simplificando para alguém como você – ele disse se sentou e olhando para mim
- Todos aqui são ricos.
- Eu sou mais.
- Não tem co...
- Eu sou mais! – eu me calei depois daquilo, eu me sentei na outra cama do quarto, ela estava completamente abarrotada de roupas e coisas, eu tive que empurrar coisas para arrumar um lugar plano para eu me sentar.
- Eu... não vou dormir nesse chiqueiro.
- Chiqueiro?
- Sim – eu disse – onde porcos são criados...
- Eu sei o que é um chiqueiro.
-Bem seu quarto parece um.
- Nosso quarto, ainda bem que temos você para limpar – ele disse.
- Eu não vou limpar! – eu disse – e me levantei indignado, Gregory se levantou e ficou na minha frente, ele era mais alto e visivelmente mais forte que eu, ele se posicionar na minha frente daquele jeito me fez acovardar e perder todo a minha postura, Gregory me ameaçava com seus olhar – eu... eu pensei que você não gostasse de fazer isso.
- Não na cama, mas não me importo de dar uns tapas para você aprender quem manda aqui, você enche o saco, você ainda não aprendeu o seu lugar nessa escola.
- Eu...
- Seu pai não te explicou como as coisas aqui são?
- Não! Eu não vou... – Gregory me empurrou para a cama
- Eu me cansei de falar com você, então cala a boca.
- Eu...
- Xiiii – ele disse, ele foi para a porta – vai dormir, você pode sair amanhã para o café – ele desligou a luz do quarto, abriu a porta e saiu.
Eu corri para a porta e tentei abrir a porta, mas estava trancada, eu tentei gritar por ajuda, mas ninguém veio, tentei a janela, mas havia uma grade nela, eu estava preso ali, não tinha lugar para ir. Eu joguei tudo que estava em cima da cama em que eu estava no chão e me deitei, eu estava com frio, estava usando apenas uma samba-canção, eu tentei usar o cobertor que estava com a cama, ele era o mesmo do meu quarto, meu antigo quarto quis dizer, mas ele estava fedendo, como Gregory tinha feito aquilo apenas no primeiro dia? O cobertor que Gregory usava estava do mesmo jeito e também cheirava a ele, coisa que eu queria longe de mim, eu abri armário e tinha algumas poucas roupas penduradas no cabide, a maioria camisas formais, que fazia parte do uniforme, mas tinha uma blusa laranja no fundo do armário, ela não estava fedendo então eu decidi usar ela, eu me deitei na cama e não lembro de muita coisa depois daquilo.

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