Capítulo 03 | BOYS

- Calouros! – menino disse – vocês aceitam a cadeia alimentar de St. Vincent? Aceitam que durante esse ano nós seremos os santos e vocês os nossos devotos? – ele perguntou, Spencer do meu lado tremia, ninguém respondeu a sua pergunta, um dos garotos que me segurava me empurrou com seu pé me fazendo quase cair no chão – Calouros? – o menino no centro  disse novamente – Vocês serão nossos humildes servos?
- Sim – eu disse com raiva – eu consegui ouvir as risadas de todos, eu era apenas um, menos que isso contando com Spencer, eu não podia fazer nada a não ser aceitar.
- E você calouro? – o garoto perguntou para Spencer.
- S-Sim – ele disse nervoso
Depois de dar seu discurso, ler o discurso na verdade, o garoto de capa na minha frente acenou com a mão para alguém do lado dele que tirou um objeto grande de dentro de sua capa, outro garoto do lado dele também tirou algo de dentro de sua capa, era um vidro de alguma coisa liquida que ele derramou no, agora visível, cálice prateado que o primeiro garoto segurava, ele não encheu o cálice, parou na metade, depois disso ele colocou o vidro no chão e pego o cálice para si e cuspiu dentro dele, o primeiro garoto fez o mesmo.
O copo foi passando de mão e mão e todos que o segurava cuspia nele, todos presentes, tirando eu e Spencer cuspiram no copo, quando o cálice passou pela última pessoa, o menino no centro e pegou alguma coisa, parecia um graveto, e mexeu o conteúdo do cálice – Vocês podem falar, mas agora queremos que vocês provem a sua devoção a nossa irmandade – ele disse se aproximando de nós – considere isso apenas como um pequeno teste, para ver se vocês realmente serão leais à nós – ele se ajoelhou na frente de Spencer e ofereceu o cálice para ele, Spencer se recusou, ele balançou a cabeça negando, os braços dele foram segurados por dois outros meninos e o que estava com o cálice segurou seu queixo e abriu sua boca, quando ele ia derramar o conteúdo do cálice na boca de Spencer ele parou -  na verdade eu tenho uma ideia – ele disse – sabe calouro, nós não gostamos de desobediência na nossa irmandade.
Ele se moveu para o lado, na minha frente – e você calouro, vai ser desobediente? – ele perguntou para mim, eu pensei e respondi que não com a minha cabeça – então você vai tomar de livre espontânea vontade? – eu concordei com a cabeça.
- Fale!
- Sim! – eu disse alto.
- Abre a boca – ele disse e eu obedeci, ele colocou o cálice nos meus lábios e entornou um pouco, tinha um gosto forte, não demorou até eu perceber que aquilo era vinho, não tinha um gosto muito diferente disso, o que me fez ficar aliviado, tentei tirar os pensamentos de como aquilo era nojento de minha cabeça.
Com o canto dos meu solhos enquanto o menino virava o vinho em minha boca eu vi Spencer estava do meu lado, ele estava completamente assustado com tudo o que estava acontecendo, não queria vê-lo daquele jeito, então com pena eu mordi o cálice e o entornei completamente fazendo todo o conteúdo cair, parte em minha boca, mas a maioria caiu no meu rosto, que escorreu pelo meu corpo, e no chão. O menino ajoelhado em minha frente riu.
Ele tirou o cálice da minha boca de um vez e jogou longe, ele não estava nada feliz com o que eu fiz – eu não sei se você foi obediente demais ou você tentou ajudar seu amiguinho aqui – ele empurrou Spencer que caiu no chão – você acabou de fazer a sua cova Calouro -  ele disse, um dos garotos que me segurava me puxou para o canto, um círculo se formou ao redor de Spencer, que já tinha voltado a chorar – você! – ele pegou Spencer e o levou de joelhos, eu tentava ver o que acontecia por entre as pernas e capas que estavam na minha frente – eu disse que você vai tomar, então você não tem escolha de fazer o que nós mandamos – ele puxou Spencer para o chão que estava molhado com o vinho – lambe! – eu não consegui acreditar no que estava acontecendo, aquilo realmente era real?
- Por... favor – Spencer tentou dizer, mas o garoto o empurrou novamente para o chão.
- Você não nos ouviu? – ele disse, aquilo foi seguido por um momento de silêncio, e depois todos no círculo começaram a gritar um com os outros, eu não pude ver, mas imaginei que Spencer tinha feito o que ele mandou.
- Irmão Gregory? – eu ouvi alguém dizendo.
- O que foi? – o menino disse, então o seu nome era Gregory.
- Eu não acho que isso foi suficiente – o menino disse em um tom maléfico.
- Vocês também acham isso – Gregory perguntou e todos responderam que sim – Então o que você nos sugere?
- Que tal ele beber direto da fonte? – Gregory gargalhou daquilo assim como a maioria da multidão.
- Então dê as honras irmão – Gregory disse, não ouve muita conversa depois daquilo, só risadas e u ouvi os sons de quando todos eles cuspiam em Spencer, que agora não fazia mais nenhum barulho, minha visão estava completamente obstruída por eles, eu tentei me mexer, mais um garoto segurava meu braço e me impedia de me mexer.
- Não se preocupe o que é seu está por vir – ele disse.
- Você! – Gregory disse, e todos que estavam na sua frente abriram caminho, revelando Gregory no meio do círculo apontando para mim, Spencer estava em seus pés sujo de vinho e cuspe, ele estava chorando – Qual deve ser a punição dele irmãos? – Gregory perguntou, houve uma algazarra, todos falavam algo – Silêncio! Eu já sei, que tal a gente começar o ritual hoje mesmo? – Gregory disse, ninguém falou nada todos ficaram calado. Ritual?
- Greg – alguém disse se aproximando dele, ele não usava o tom que todos usavam, ele falava normalmente – nós combinamos que... – ele tentou dizer.
- Eu sei o que combinamos, mas a gente também tem o dever de mostrar para esses calouros o lugar deles, do mesmo jeito que fizeram com a gente, é a tradição, se nós passamos por isso por que eles não podem? 
- Mas o Vaughn.... Ele pediu para gente pegar mais leve.
- Vaughn não é maior que as tradições do St Vincent.
- Mas ele pode nos punir novamente – outra pessoa que eu vi disse.
- Ele pode fazer isso a qualquer momento, eu digo para a gente aproveitar o que temos hoje – outro garoto disse 
- E to com o Gregory – uma quarta voz disse, todos ficaram em silêncio, eu não sabia o que estava acontecendo, todo meu corpo estava com calafrios, não sabia o que iria ser de mim, pela primeira vez eu entendi como Spencer estava se sentindo naquele momento.
As luzes foram acessas, minha visão ficou turva por alguns segundos, mas quando enxerguei novamente eu vi que estávamos no vestiário, na área onde tomávamos banho, em questão de segundos todo o poder que os garotos exerciam acabou quando vi que eles eram pessoas normais de pijamas e usando uma capa ridícula.
- O que é isso? – Eu ouvi alguém dizer, aquela voz eu conhecia, era Otavio que tinha entrado no vestiário – Spencer? – ele gritou quando viu o irmão dele no chão, ele foi em sua direção e o segurou – Gregory que porra é essa? – ele disse com raiva – vocês... vocês prometeram! – ele gritou – porque vocês fizeram isso?
- O Greg... – Alguém tentou dizer.
- Você é louco? – Greg disse se levantando e pegando Gregory pelo colarinho da capa, sua touca caiu e revelou um menino branco, com barba e cabelos loiros e olhos azuis – você concordou!
- Eu não concordei com nada, eu faço o que eu quiser, e não é você ou Vaughn que vão me impedir – ele se soltou de Otavio.
- Ele é meu irmão – Otavio apontou para Spencer no chão.
- Ele é um calouro e eu um veterano, é o dever dele me...
- Cala a boca – Otavio deu um soco em Gregory, que partiu para cima dele, os dois começaram a brigar, mas foram logo separados pelos outros garotos, o garoto que me segurava foi para a multidão então eu finalmente fiquei livre, com exceção dos meus pulsos amarrados.
Quando os dois se acalmaram Spencer percebeu que eu também estava ali, ele pegou seu irmão e colocou em seus ombros e me puxou pelo braço e nos tirou de lá, ele foi até um quarto do andar térreo e abriu a porta com chaves, o quaro era parecido com o nosso, mas era maior e tinha duas portas, uma para o closet e outra para o banheiro eu pensei, e um frigobar, ele colocou Spencer na cama de casal e foi em minha direção, ele me girou e começou a me desamarrar.
- O que está acontecendo? – eu perguntei.
- Eu... é... Me desculpas, isso não devia ter acontecido, eles prometeram....
- O que está acontecendo – eu perguntei novamente com raiva – o que foi aquilo – ele me desamarrou e eu senti um alivio em poder mexer meu braço novamente.

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