Capítulo 14 | O FILHO MAIS NOVO
- Bom dia flor do dia! – meu pai disse abrindo as cortinas do quarto – toma – ele me entregou um copo com suco de laranja.
- Bom dia! – eu disse – o que aconteceu para você me fazer um suco e vir até o meu quarto?
- Bem, hoje é uma data especial.
- Especial?
- Sim, hoje é o seu último dia de escola.
- Sim, você não precisa falar.
- Você está virando um homem, e hoje é só uma das datas especiais que vem vindo.
- Eu sei, e eu já sou um homem faz muito tempo.
- Você ainda é um garotinho – meu pai se sentou na cama – parece que foi ontem que eu te segurei no colo e troquei suas fraldas.
- Pai! Não vem com isso agora.
- Eu sei, eu sei, é que vocês cresceram tão rápido e...
- Não! – eu disse o interrompendo, fazia alguns dias que meu estava sentimental daquele jeito, ele achava um motivo para fazer aquilo em tudo, eu me levantei e tentei ir para o banheiro, mas meu pai me segurou
- É só esse vai ser o último, ultimo dia de escola, e em breve você vai me deixar aqui sozinho para ir para a faculdade.
- Eu sei – papai me abraçou.
- E você ainda não decidiu qual das faculdades ainda?
- Ainda não.
- Não deixe o meu chororo te enganar, eu vou aceitar qualquer decisão que você tomar, mesmo que você decida ir para longe de mim.
- Eu sei, eu só quero... ter certeza. Papai me solta eu vou me atrasar
- Você ainda nem me deu um beijo de bom dia.
Eu me abaixei e o beijei na bochecha
- Pronto!
- É esse beijo que um filho dá no seu pai?
- Sim, todos os filhos e pais normais sim – eu brinquei.
-Que bom que não somos normais – ele me puxou mais uma vez, mas dessa vez tomou controle, ele segurou minha cabeça e me beijou, de língua como ele sempre costumava fazer.
- Pa..pai – eu disse, nosso beijo tinha tomado outras conclusões, ele havia me puxado de volta para a cama, e em questão de momentos eu estava apenas de cueca
- Eu de dou uma carona – ele disse em meio aos seus beijos – eu só quero que seu último dia seja memorável
- Eu chegar atrasado no último dia de aula também será bem memorável – eu disse.
- Me diga que você não quer isso – ele falou.
- Mas...
- Sim ou não?
- S-Sim – eu finalmente cedo, eu queria.
- Viu – ele me deu um beijo e depois tirou a sua camisa.
Nós dois entramos debaixo do edredom, e meu pai fez o resto para nós dois ficarmos pelados, nos beijávamos sem parar, meu pai cheirava a banho recém tomado, seu cabelo estava úmido e sua barba estava feita, então ele já havia acordado há bastante tempo, sua boca tinha o gosto do mesmo suco que eu tomei antes.
- Elliot? – meu pai disse.
- Sim?
- Eu vou sentir a sua falta quando você ir para a faculdade.
Eu tinha decidido ir para faculdade alguns meses atrás, meu pai não quis botar nenhum tipo de pressão em mim, visto tudo o que tinha acontecido com Jonathan e mesmo com o nosso tipo de relação, ele não quis me pressionar, mas de certa forma eu fiquei um pouco relaxado com o assunto.
Depois que eu comecei as aulas eu mal tive tempo para pensar em qual faculdade me inscrever, minha sorte foi que Jonathan, de todas as pessoas, me ajudou. Eu passei em algumas faculdades ao redor do país, mas principalmente eu tinha passado nas minhas duas faculdades principais, eu podia escolher qualquer uma, ambas estavam no mesmo nível, a única coisa era que uma era do outro lado do país, e a outra na cidade ao lado, a escolha podia ser obvia, mas eu passei boas semanas enrolando para tomar essa decisão.
De um lado eu tinha toda a independência que eu sempre sonhei em ter na faculdade mais longe, mas do outro eu tinha a proximidade de estar com minha família. Nos últimos meses eu tinha experenciado uma paz que eu nunca pensei em ter desde que minha mãe morreu, meu pai e Jonathan não se odiavam mais, eles não eram melhores amigos, mas eles se toleravam, desde aquela noite da qual não gosto sequer me lembrar eles vem quebrando o orgulho besta que tinham e tentado uma reaproximação. E eles entenderam o tipo de relação que ambos levávamos, eu amava os dois, e os dois me amavam.
Demorou um pouco até que os três nos acostumássemos em perder a inibição, não havia mais nenhum tipo de barreira entre nós três, nenhum tabu, nenhum segredo, fazíamos o que quiséssemos, não havíamos dado um nome para aquilo pois não precisava, éramos pai e filhos no final da conta, e nada mudaria aquilo. Não éramos uma família normal, mas ainda éramos uma família, e nos amávamos como qualquer outra.
Quando terminamos o nosso bom dia, meu pai se deitou do meu lado cansado, um pouco suado e com sua respiração forte.
- Pai? – eu disse
- Sim.
- Eu quero ficar aqui – eu disse – não quero que isso aqui acabe, eu vou entrar na faculdade mais próxima de você e de Jonathan.
- Você tem certeza?
- Sim eu tenho.
- Eu fui tão bom assim?
- Para – eu disse jogando um travesseiro nele – você apenas me atrasou só isso – eu terminei e fui para o banheiro.
Quando tinha saído da escola eu liguei para Jonathan: - Alô?
- Eli?
- Sim.
- Alguma coisa aconteceu? Você está na escola?
- Sim, eu acabei de sair e estou indo para casa
- O último dia de aula, como você está se sentindo?
- Bem, feliz que finalmente acabou.
- Eu sei.
- John...
- Sim?
- Eu só queria falar com você que eu decidi ficar.
- Sério? – ele falou animado – quer dizer, você tem certeza?
- O papai já te contou? – eu disse, eu pude perceber na voz dele como ele fingia surpresa.
- Sim, ele me mandou uma mensagem de manhã. Mas eu estou feliz Eli, feliz que eu tenho você só para mim por mais quatro anos.
- Sim, como está com os papeis?
- Eu já terminei de assinar, eu posso me mudar semana que vem.
Jonathan tinha alugado um apartamento na cidade, ele estava juntando dinheiro alguns meses, ele fazia bicos como fotografo de casamentos, ele realmente era bom naquilo e estava se aperfeiçoando, meu pai ainda não entendia muito bem aquele trabalho, ele sempre oferecia um lugar na empresa, mas Jonathan sempre recusava, mas agora os dois não brigavam mais por aquilo, eles entenderam que aquele jeito de agir não os levava para lugar algum.
- Bem você pode me visitar quando quiser, vamos ficar bem pertos um do outro, então se você estiver na seca.
- John!
- Eu estou brincando.
- Sei.
- Eli?
- Sim?
- Eu te amo.
- Eu também te amo
- Te vejo hoje à noite para o jantar?
- Sim, aliás você sabe quem vai nos agraciar com a sua presença hoje no jantar?
- Quem?
- Victor.
- Sério?
- Sim, o próprio santíssimo e magnifico Victor.
- Sozinho?
- Sim, se nosso irmão mais velho fosse tão bem em casamentos como é em puxar o saco do papai, talvez ele durasse com alguém.
- Não fale isso, ele tenta.
- As vezes você tem que saber quando parar, especialmente quando você já se casou quatro vezes. Bem eu vou pegar o carro e ir fotografar um casal no parque, nos vemos à noite okay?
- Sim.
- E se prepara, pois quando o Victor ir embora, nós vamos comemorar do nosso jeito – eu rio,
- Tudo bem – eu digo – boa tarde.
Quando eu cheguei em casa tomei um longo banho e dormi por alguns minutos, logo depois que eu acordei Jonathan foi o primeiro a chegar em casa, ele me cumprimentou com um longo beijo.
- Como você está? – ele me perguntou.
- Bem.
- Você já está se sentindo um adulto?
- Ainda não – brinquei.
- Uma dica, você nunca sentirá como um adulto.
- Okay.
- O pai já chegou?
- Ainda não.
- Então estamos sozinhos?
- Sim, mas não apronte, ele vai chegar a qualquer momento com o Victor.
- Então você quer uma rapidinha?
- Cala a boca John.
- Você tem certeza, muitas pessoas morreriam para uma rapidinha comigo.
- Então vai com elas – eu disse.
- Nossa, calma.
- É que eu quero que hoje seja especial.
- Por quê?
- Hoje pode ser uma das últimas noites que nós jantamos sozinhos, você vai se mudar semana que vem, e eu também em breve, eu quero ter um dia especial antes disso.
- Eu entendo, mas isso não quer dizer que algo vá mudar entre nós.
- Eu sei...
- Lembra do que conversamos, nós nos amamos, e você e o papai também, nós te amamos e não queremos te prender ou impedir você de ter uma vida.
- Eu sei.
- Elliot? Jonathan? – ouvimos alguém dizer do andar de baixo.
- O papai chegou, parece que hoje não vai ser o nosso dia.
- Está tudo bem? – meu pai disse quando nos encontrou em meu quarto.
-Sim, como foi o trabalho hoje? – Jonathan perguntou.
- Ótimo, principalmente com o café da manhã que eu tive hoje – meu pai olhou para mim com malicia, Jonathan entendeu o que ele disse, mas ambos fingimos relevar aquele comentário – o Victor está lá embaixo, se quiser fazer companhia para ele.
- Ok – Jonathan disse e foi desceu deixando eu e meu pai sozinhos, nós dois nos sentamos em minha cama.
- Está tudo bem? – meu pai perguntou novamente.
- Sim.
- O que vocês estavam conversando.
- Eu falei para ele que decidi ficar aqui.
- E como ele ficou?
- Você sabe, você contou para ele antes.
- Nossa, fui pego no pulo.
- Eu sei – eu disse rindo – eu falei para ele que queria que hoje fosse especial.
- Por quê?
- Essa pode ser a nossa última noite juntos, e Victor veio nos visitar, quase nunca temos a família toda, quer dizer, quase toda – David não estava conosco.
- Eu sei, e é muito legal você querer fazer da noite especial.
- Eu queria que fosse como quando a mamãe estava aqui.
- Sim, Elliot, sua mãe sempre quis que tudo fosse sempre perfeito, e ela fazia com que isso acontecesse, mas na maioria das vezes apesar de tudo ela era a que menos se divertia. Eu não quero que acontecesse o mesmo com você.
- Okay – eu disse.
- Você não quer ver Victor, faz tempo que vocês não se veem certo?
- Sim.
- Bem – meu pai deu um beijo em minha testa – eu vou tomar um banho agora, e quando eu descer nós jantamos ok.
- Sim – meu pai saiu do quarto e foi para tomar banho, eu desci as escadas, Jonathan e Victor estavam no sofá da sala conversando e rindo.
- Olá – eu disse quando cheguei na sala.
- E aí – Jonathan disse.
- Elliot? – Victor disse, ele estava de costas para mim e se surpreendeu quando se levantou e virou em minha direção – nossa como você cresceu desde que eu te vi – eu não tinha crescido, estava o mesmo, mas acho que aquilo era uma coisa que os mais velhos faziam.
- Sim – eu disse um pouco acanhado.
- Vem aqui – Victor levantou os braços para um abraço, eu fui em sua direção e o abracei.
Jonathan ainda estava com a roupa do trabalho com exceção do terno e gravata que estavam no sofá, ele estava com uma camisa branca suspensórios e uma calça azul escuro que combinava com o terno que estava no sofá. Jonathan era alto, o mais alto da família, ele era branco e tinha o cabelo claro com barba que era quase chegava a ser ruiva.
- E aí, você já ta virando adulto, como você se sente? – ele perguntou
- Normal, nada diferente – eu disse, eu olhei para Jonathan, ele estava na poltrona sentado confortável olhando nós dois.
- E você como está com a... – Eu disse.
- Justine – Victor disse – nós nos divorciamos.
- Sério? – eu fingi ficar surpreso.
- Sim, não era para ser sabe – ele falou sentando.
- É como eles dizem, a quinta vez é o charme – Jonathan disse brincando, Victor não havia gostado do comentário de John.
Nós conversamos mais um pouco, Jonathan e Victor conversaram mais, eu apenas acenava minha cabeça de vez em quando. Nosso pai desceu um pouco depois e fomos jantar, se a conversa entre meus irmãos era chata, agora que meu pai chegou ficou ainda mais chata, eles conversavam de trabalho, Jonathan falava as vezes, mas aparentava estar tão perdido e entediado como eu.
- Eu acho que eu bebi demais – meu pai disse tomando o último gole do vinho que estava em sua taça, os três já tinham esvaziado uma garrafa e estavam prestes a terminar outra e Jonathan e Victor ainda beberam cerveja para completar – eu acho que a minha noite termina por aqui – papai disse.
- Sério? Tão cedo? – Victor disse. – eu que acho que também tá na mina hora de voltar para casa.
- Depois de tudo o que você bebeu? – eu disse.
- Não é nada – ele falou.
- Elliot está certo, por que você não dorme aqui? – papai disse.
- Mas eu preciso trabalhar amanhã
- Eu sou o seu chefe – os três riram.
- Elliot vem aqui – papai disse levantando da mesa, eu segui ele até o andar de cima.
- O que foi, está tudo bem? – eu disse.
- Sim. Eu só queria de dar uma boa noite – ele me beijou, eu consegui sentir o gosto do vinho em sua boca – e me desculpar por não ficar mais tempo com você hoje que era para ser o seu dia.
- Não tem problema, hoje eu me diverti apesar de tudo, foi bom ter parte da família reunida de novo e não para uma coisa triste como da última vez.
- Sim – bem, ele me dá mais um longo beijo e me abraça – boa noite querido – ele diz.
- Boa noite papai – eu disse, meu pai foi para o seu quarto e fechou a porta.
- Elliot? – eu escuto a voz de Victor, eu estava perto da escada, e ele estava subindo, meu corpo gelou quando eu ouvi a oz dele, será que ele tinha visto aquilo?
- V-Victor?!– eu disse nervoso.

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