Capítulo 11 | O FILHO MAIS NOVO

Eu havia acordado sozinho na cama, meu pai tinha ido trabalhar e eu fui até o quarto de Jonh eu vi que a cama ainda estava feita, e que Jonathan ainda não havia voltado para casa, ele tinha ficado a noite inteira fora. Jonathan tinha saído de casa com raiva, e simplesmente foi embora, eu me perguntei se ele voltaria, eu sabia que sim, afinal todas as suas coisas estavam em casa, mas uma pequena parte de mim dizia que ele não voltaria, e tudo era a minha culpa, se eu tivesse feito menos barulho...
Eu não sabia o que fazer, eu tentei ligar para meu irmão, mas ele tinha deixado o celular em casa, com o passar do tempo eu ia ficando mais e mais preocupado, eu já tinha limpado toda a casa para tentar ocupar a minha mente, mas eu não conseguia para de pensar em Jonathan, o que eu falaria quando ele voltasse, e se ele ao menos voltaria. Será se o que tínhamos ainda estaria de pé? Quando ele saiu de casa ele estava certo em acabar com tudo, mas é isso que acontece, quando casais brigam, eles falam coisas que se arrependem depois. Mas no que eu estava pensando, eu e Jonathan não éramos um casal, nós dois éramos irmãos.
Naquele dia, mais do que nunca eu queria que tudo aquilo fosse apenas um sonho e que eu pudesse apenas acordar e que tudo voltasse como era antes, mas tudo aquilo foi real, e eu escolhi ir por aquele caminho, então não havia outra pessoa para botar a culpa daquilo além de mim, eu era o culpado de tudo aquilo, então eu deveria arrumar a bagunça que eu havia começado.
Quando eu tinha terminado de limpar a casa, e arrumar todas as coisas duas vezes cada eu ouvi um barulho vindo do lado de fora de casa, por um minuto achei que era Jonathan, por isso fui correndo para vê-lo, mas quando eu saí de casa não era Jonathan, o barulho estava vindo da casa vizinha, da casa do Sr. Langmore, com um pouco de cuidado eu fui ver o que estava acontecendo, será se ele tinha voltado? Eu senti um frio na barriga ao pensar naquilo, e também de certa forma um alivio, eu não queria pensar naquilo e apesar de tudo o que ele fez eu me preocupei pelo Sr. Langmore, ele não era mais jovem, e não tinha ninguém no mundo e ele simplesmente saiu da casa dele sem lugar algum para ir.
Eu tentei espiar atrás da cerca, mas não funcionou muito, eu apenas vi que na rua tinha um caminhão de mudanças e que alguns homens carregavam as coisas de dentro da casa do Sr. Langmore para dentro do caminhão, eu fiquei ali por um tempo, queria ter certeza que ele não estava lá, e eu não avia visto nenhum sinal dele.
- Bom dia! – eu disse para um dos homens encarregado da mudança.
- Bom dia – ele disse
- O Sr. Langmore esta aí? – eu perguntei, não queria parecer ter segundas intenções, mas estava curioso.
- Quem? O dono da casa? – o homem perguntou.
- Sim, ele está aí?
- Não, nós apenas recebemos ordens de esvaziar a casa e levar tudo para um depósito fora da cidade.
- Ah sim – eu disse, eu agradeci e voltei para casa, meu coração bateu um pouco mais rápido, estava feliz por Sr. Langmore estar bem, e ainda mais que ele tenha se mudado, eu temia que se ele voltasse papai explodiria e fizesse algo que ele se arrependesse depois.
Agora com o Sr. Langmore fora de nossas vidas e da casa ao lado, aquilo era algo a menos para eu me preocupar, eu continuei vendo a mudança até o caminhão ir embora apenas para ter a certeza de aquele capítulo de minha vida estava encerrado, eu esperava que o Sr. Langmore estivesse bem, e que ele continuasse longe de nós.
Agora com todo aquele barulho, o silêncio voltou depois com a ida do caminhão, e com isso eu voltei a pensar em Jonathan, já tinha horas que ele havia saído de casa, ele não tinha levado carteira, celular nada, apenas a roupa do corpo, e o dia estava começando a escurecer. Eu sentei no sofá e esperei, esperei e esperei de novo para que a porta abrisse, e a cada hora que eu olhava no relógio mais meu desespero aumentava, minhas dúvidas de que ele realmente foi embora apenas ficava mais e mais alta.
Depois das seis da tarde, ficar sentado sem fazer nada naquele sofá me deu sono e eu dormi, e acordei apenas quando a porta se abriu, desesperado eu gritei no nome de Jonathan, mas quando eu vi não era ele, mas meu pai.
- Elliot? – ele disse – está tudo bem? – eu tinha caído do sofá quando ouvi a porta se abrir de tão desesperado e sonolento que eu estava.
- Papai? – eu disse com um pouco de dificuldade tentando acordar cem porcento – você viu o Jonathan?
- O que?
- Ele saiu de manhã e não voltou até agora – eu disse me sentando no sofá mais uma vez.
- Você ligou para ele?
- Sim, mas ele deixou o celular e a carteira aqui, papai eu estou preocupado – meu pai se sentou do meu lado
- Eu sei como você se sente – ele passou o braço pelo meu corpo e me abraçou de lado – eu e a sua mãe já ficamos aqui sentados preocupados com ele diversas vezes.
- Mas ele voltava, não é? 
- As vezes, as vezes ele voltada outras ele ficava dias sem voltar – eu olhei com medo para ele quando me disse isso – você não lembra disso pois era muito novo naquela época para se importar com essas coisas, mas eu e sua mãe já passamos noite em claro esperando e ligando para o seu irmão.
- Mas ele...
- Até que um dia eu simplesmente desisti, pela sua mãe, cada vez que ela ficava aqui preocupada, mas a saúde dela ia se deteriorando, você sabe como ele era frágil, e ela amava muito seu irmão.
- Você quer dizer que ele não vai voltar?
- Não, ele vai voltar, ele sempre volta, eu só não quero que você fique aqui, como sua mãe, esperando pelos caprichos de Jonathan. Eu sei que ele se importa com você, se importava com sua mãe, mas para o Jonathan ninguém é mais importante do que ele e as suas próprias necessidades. Eu não quero que você fique aqui, perdendo seu tempo por ele.
- Mas papai, eu... nós brigamos e eu...
- Não me importa, Elliot você tem dezessete anos e é mais maduro que ele com vinte e um, se vocês brigaram ele deveria ser o adulto e pedir desculpas e não simplesmente fugir. – eu comecei a chorar e abracei meu pai, meu pai me segurou de volta, quando eu o abraçava um pouco do peso que eu sentia em minhas costas sumia. Eu estava preocupado com Jonathan, sentia remorso por termos brigado, eu queria tê-lo aqui para pedir desculpas...
- É tudo a minha culpa – eu disse.
- Elliot – meu pai disse, ele segurou meu rosto e me beijou, nós demos um longo beijo – isso não é a sua culpa, nada disse é sua culpa – ele disse – eu queria que você parasse de se culpar por tudo o que acontece, você não tem que carregar todo o peso do mundo ilho.
- Eu não... – meu pai me abraçou de novo, seu cheiro, seu abraço todos me confortavam
- Venha – ele disse – vamos para o quarto – ele me levou para o nosso no colo, mesmo eu não querendo – o Jonathan vai voltar – ele disse.
Quando ele me deitou na cama ele me abraçou, e nós ficamos ali, quietos e juntos um ao outro, eu estava preocupado e por muito tempo eu não consegui dormir, mas o sono foi vindo até que eu caísse no sono.

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