INTERLUDE | JUST US - ENTRE PAI E FILHA

JUST US - ENTRE PAI E FILHA

INTERLUDE:
Emily nunca tinha estado tão feliz, depois de três meses ela finalmente tinha esvaziado a última caixa da mudança, mesmo depois de tanto tempo ela ainda ficava cansada apenas de lembrar todo o processo de mudança, aquela era a segunda mudança da família em menos de três anos, primeiro veio a mudança da kitnet para um casa maior, agora Emily e sua família se mudaram para uma casa ainda melhor que a última.

Emily sorriu, pois seu irmão, Gregory, que entraria na escola em breve podia ter o mesmo nível de educação que ela teve, o bairro para onde se mudaram tinha uma das melhores escola do distrito daquela cidade. Apesar de não ter gostado da ideia de se mudar novamente e querer criar raízes, fora George que tinha convencido Emily a se mudar de cidade. George havia recebido mais uma proposta de serviço, com um melhor salário e mais tempo para poder ver sua família, ver seu filho crescer, coisa que Emily reclamava a muito tempo, George quase não estava presente, ele mal ficava em casa, ela tinha medo de Gregory não reconhecer mais o próprio pai.

- Está tudo bem amor? – George disse entrando no quarto de Gregory com o mesmo em seu colo.

- Sim – Emily disse saindo de seu transe – eu só acabei de esvaziar a última caixa – ela sorriu.

- Nossa, nem parece que nos mudamos a quase três meses – Gregory disse, ele deixou Greg no chão e pegou a caixa que estava nas mãos de Emily.

- M-Mamãe – Greg correu em direção aos braços de Emily que estava ajoelhada no chão.

- O que foi bebê? – ele disse o abraçando – você e o papai se divertiram no parque?

- Sim – ele disse baixo dentro do abraço de sua mãe, não havia lugar mais aconchegante para Greg que o abraço de Emily.

As primeiras palavras de Greg foram "Ma" e direcionadas a Emily, os dois se assustaram e não sabiam o que fazer, não podiam o repreende-lo ele era apenas um bebe, e ele não entenderia o que acontecia entre Emily e George. Em um dia qualquer enquanto brincava no parque uma mulher cuja a filha brincava com Greg se aproximou, as duas conversaram sobre como era ser mãe e o trabalho que era cuidar de um bebê, par aquela mulher Emily era a mãe de Gregory, e Emily tinha passado as mesmas coisas que aquela mulher havia, ela finalmente entendeu que Gregory era seu filho, e nada menos que isso.

Junto com as primeira frases de Gregory, todos ao redor começaram a tirar as próprias conclusões e chamar George e Emily de casal, o coração dos dois gelaram quando alguém percebeu os olhares que um dava no outro, mas com o passar do tempo o fato de que Emily era filha de George foi ficando cada vez mais no passado.

Emily e George era um casal, um casal com uma grande diferença de idade mais ainda sim um casal para todos ao seu redor, não haviam nenhuma pessoa do passado deles em sua vida, eles fizeram questão daquilo, George se demitiu do seu emprego e os dois se mudaram de cidade mais uma vez, dessa vez mais longe, para que ninguém pudesse os reconhece-los e para que eles pudessem viver uma vida sem segredos. Agora o sobrenome Foster de Emily não era de seu pai, e sim de seu marido.

- Amor? - George disse retornando ao quarto depois de jogar a caixa fora.

- O que foi?

- Vem aqui – ele a chamou.

- Tudo bem – Emil deixou Gregory brincando em seu quarto e fechou a porta, George estava encostado na parede do lado, Emily se aproximou de Gregory e os dois se beijaram. George terminou o beijo – o que aconteceu?

- Você sabe o que eu vou dizer agora – o tom de voz de George deixou claro para Emily, ela sabia que aquela conversa viria, os dois tinham prometido, mas aquilo era especialmente difícil para Emily, George já tinha passado da sua fase de luto, e Emily se recusava a deixar sua mãe ir.

- Pai, eu... quer dizer, George – Emily ainda cometia aquela gafe algumas vezes – eu pensei que poderíamos esperar mais...

- Emily! – George a repreendeu – nós já adiamos isso muitas vezes, primeiro foi a caça de imóveis, depois a mudança, você prometeu que conversaríamos depois da mudança e eu sei que você está adiando esse tempo todo por isso – George estava certo, Emily estava adiando aquela conversa mesmo que inconscientemente.

- George eu...

- As vezes parece que eu quero isso e você não.

- Não é isso

- Ele era minha esposa, eu não sou o vilão nessa esposa, eu amava tanto quanto você.

- Eu... eu só não quero achar que fizemos isso por causa do que aconteceu conosco.

- Já fazem mais de cinco anos Emily, sua mãe não vai acordar e você sabe disso, o que aconteceu entre nós ou não, nós tomaríamos essa decisão de uma forma ou de outra.

- Bem. Você está certo, me desculpe, eu...

- Eu entendo, essa decisão é tão difícil para mim quanto é para você.

George e Emily decidiram desligar os aparelhos que mantinham Rachel viva, seu corpo vivo, os dois sabiam que ela não acordaria mais, depois de tanto tempo era difícil manter a esperança de que ela acordaria algum dia.

No final daquela semana os dois viajavam de carro para a sua cidade natal, onde eles deixaram o passado em busca de uma vida sem se esconder. Gregory estava com Elizabeth, um menina que morava na casa ao lado e que sempre ficava de babá cuidando de Gregory enquanto os casal saia para algum lugar, Emily não queria leva-lo para aquele lugar, ele não entenderia nada e faria apenas mal para ela. Depois de dois anos Emily visitou sua mãe, ela não gostava de visita-la, ela sentia sua mãe a observando e a julgando, Emily não se sentia culpada pelo o que aconteceu com seu pai, mas estar perto de sua mãe, era como se a presença dela estivesse lá, julgando.

O médico da clinica especializado com aquele tipo de paciente explicou tudo para Emily e seu pai, ali naquela cidade George era seu pai e ela sua filha, era estranho, os dois tinham se acostumado tanto com a sua nova dinâmica que ouvir alguém falando a verdade que eles tanto queriam esconder chegava a ser perturbador, como se alguém tivesse descoberto que eles tinham assassinado alguém, e de certa forma eles tinham.

Quando o médico deligou a única maquina ele colocou uma pequena placa com a sigla DNR, que significava 'não ressuscite' na frente da tela do monitor, sem batimentos os aparelhos ficaram apitando até que o médico o desligou.

- Quanto tempo até... – George perguntou ao médico.

- Não sabemos, o corpo demora até parar completamente, pode durar poucos minutos até dias.

- Ela está sofrendo? – Emily falou.

- Não, aplicamos sedativos para ter certeza total que ele não sinta nada até que aconteça – o médico então saiu da sala, mas antes de fechar a porta ele disse: - eu não sei se vocês são religiosos, mas ela está em um lugar melhor agora.

George e Emily se sentaram na cama, cada uma de um lado e seguraram a mão dela, os dois ficaram em silêncio enquanto ouviam a respiração fraca de Rachel, o chora de Emily era o único barulho naquele quarto.

Emily acordou assustado lembrando de onde estavam, George a havia acordado.

- O que aconteceu? Eu... Eu perdi? – ela perguntou.

- Não, mas a Liz me ligou – ele disse se reverendo a babá.

- O que ela disse? Está tudo bem com o Gregory?

- Sim, mas o tempo que havíamos combinado acabou, ela ficou preocupada e nos ligou?

- Acabou que horas são?

- Quase meia-noite – Emily olhou o relógio e George estava certo, os dois ficaram o dia inteiro com Rachel, e ela ainda estava lá, respirando com dificuldade – Nós temos que ir.

- Mas, a mamãe, ela...

- Eu sei querida, mas não podemos fazer nada, nós já nos despedimos dela incontáveis vezes e precisamos, o horário de visitas já acabou há muito tempo e também tem o Gregory.

- Mas...

- Eu conversei com o médio, e ele disseque nos avisaria quando acontecesse. Eu também já deixei os preparativos para a incineração prontos.

- Incineração?

- Sim, era um dos desejos de sua mãe.

Emily e George saíram da clínica, Emily chorava pensando que perdia o momento em que sua mãe partiria, mas seu pai estava certo, eles haviam se despedidos mais de uma vez e talvez fosse melhor ela não estar lá quando acontecesse. Os dois entraram no carro e Emily posou sua cabeça no vidro do passageiro enquanto George dirigia rumo a casa deles.

- Pai... – Emily disse lembrando que não poderia dizer aquilo, George não gostou, mas sabia que aquele era um momento em que Emily precisava de seu pai – você acha que foi certo não trazer o Greg?

- Por que isso agora?

- Ele nunca ter conhecido a mãe dele, será se isso foi o certo?

- Ele conhece a mãe dele, você é a mãe dele, e ninguém pode dizer o contrário – George segurou a mão de Emily ele olhava para ela ao mesmo tempo que tentava manter os olhos na estrada.

- Eu sei. – Emily disse, ninguém mais disse nada durante a viagem, quando chegaram George pagou Liz e a acompanhou até sua casa, Emily foi no quarto de Gregory que já estava dormindo.

Sem acordá-lo ela se sentou em sua cama e acariciou seu rosto, ela o amava como um filho, George tinha razão, seria melhor que Gregory nunca descobrisse a verdade, ela era sua mãe, ela o amava como se ele fosse parte dela, talvez até mais do que ela amava George, Emily beijou sua testa e o deixou dormir.

- Tudo bem? – Emily perguntou quando desceu as escadas e viu George fechando a porta da frente.

- S-Sim – ele disse depois de perceber Emily no começo das escadas – eu... eu só levei a Liz para casa, você sabe como os Hudson são com aquela menina.

- Sim, eles deveriam dar um pouco mais de liberdade para coitadinha.

- Eu espero não ter sido um pai como eles para você – George disse, os dois se encontraram no último degrau da escada, Emily estava mais alto que George, aquilo era inusitado, George era sempre o mais alto, que estava no comando.

- Você foi o melhor pai do mundo – ela o beijou – mas é um amante melhor ainda – George a abraçou e pegou pelo seus braços e a levou para a o quarto.

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