Capítulo Final | FIGURA PATERNA


FIGURA PATERNA

Capítulo Final:


Eu tentava ao máximo parar e sair correndo dali, mas ele era mais forte do que eu e estava basicamente me arrastando para o caminhão, a minha única saída era gritar, mesmo não tendo ninguém ali naquele momento, eu não podia simplesmente parar e ir com aquele homem, eu não sabia o que ele iria fazer ou o que aconteceria comigo se eu entrasse naquele caminhão então eu tentaria meu máximo para não saber.
Eu gritei o máximo que consegui, o mais alto que eu podia, eu esperneei por socorro, mas ninguém apareceu, eu não tinha nenhuma saída, mas aquele homem não gostou nada dos meus gritos e tampou minha boca e me mandou calar a boca, ele me segurou mais forte e com mais raiva, aquele seria o meu fim, eu não tinha mais saída minha última opção foi morder a mão dele e foi o que eu fiz, mordi o mais forte que podia, tudo aconteceu tão rápido mais eu tenho certeza que eu senti gosto de sangue, então eu devia tê-lo machucado bem.
O machuquei suficiente para que ele me soltasse por alguns segundos, tempo suficiente para que eu fugisse, eu corri, corri o mais rápido que consegui, não sabia aonde estava e nem para aonde estava indo, mas eu não podia ficar ali, não podia perder tempo para parar e raciocinar o que faria, apenas corri, não olhei para trás com medo daquele homem estar me perseguindo, eu apenas corri até não conseguir mais.
Quando minhas pernas começaram a não aguentar mais eu caí no chão, rolei algumas vezes na estrada e ganhei diversos machucados em meu corpo, fiquei alguns minutos parado deitado no chão frio tentando recuperar meu fôlego e esperando que toda a dor no meu corpo da queda e da corrida constante cessasse. Demorou algum tempo, eu acho que dormi ou desmaiei, a única coisa que eu me lembro depois da queda foi os faróis de um carro passando por mim na estrada, já estava escuro, eu não sabia quanto tempo eu havia apagado, mas agradeci a Deus que eu estava no acostamento da estrada porque se eu tivesse no meio da rua talvez não estaria vivo.
Levantei e comecei a andar, tudo estava tão escuro que mal conseguia enxergar o chão em que estava pisando, todo o meu corpo estava dolorido e tão frio que eu estava tremendo. Eu ainda não sabia aonde estava e nem para onde estava indo, mas eu continuei andando, não podia ficar parado, eu morreria de frio ou coisa pior, quando eu conseguia corria, mas por pouco tempo, estava cansado, com frio, com fome e com sede, aquele com certeza era o pior dia da minha vida, tudo o que eu queria naquele momento era estar com meu pai, em minha casa desejando nunca ter conhecido Michael.
O que havia acontecido, porque ele havia feito aquilo comigo?
Depois de horas andando eu finalmente consegui enxergar luz vinda de longe, eu estava exausto mais eu corri até a luz ficar cada vez maior, mas quando percebi aonde estava eu parei bruscamente, eu havia voltado, voltado para o lugar de onde vim, estava no estacionamento onde Michael havia me deixado, eu estava no mesmo lugar de onde eu fugi, ver aquilo simplesmente acabou comigo, eu não tinha mais energia para correr, para fugi, eu simplesmente caí de joelhos no chão e comecei a chorar.
-Cassio! – eu ouvi de longe, era a voz do meu pai, ou eu queria acreditar que era, eu estava tão cansado e perturbado que ouvia a voz de meu pai. Consegui ir me arrastando para trás de um caminhão e fiquei lá, encolhido tentando me esquentar quando mais uma vez eu apaguei.
Eu acordei com a voz de um homem, ele era um caminhoneiro mas não o mesmo do ontem, ele não estava nada feliz em me ver, talvez porque eu estava debaixo do caminhão dele e ele queria sair, eu achou que eu era um menino de rua por isso me enxotou dali sem nenhuma pena, meu corpo todo doía, minha cabeça doía, eu não sabia o que iria fazer naquele momento, eu fui até a calçada e sentei mais uma vez tentando decidir o que iria fazer, não havia nenhum sinal daquele homem ou de Michael, apesar de não querer pensar naquilo, ver um rosto conhecido, mesmo que fosse o de Michael não seria ruim, eu apenas queria saber que tudo iria dar certo.
- Cassio – eu ouvi mais uma vez a voz de meu pai, qual era o meu problema? Eu estava ficando louco? – Cassio! – eu ouvi pela segunda vez só que mais alto, quando ouvi pela terceira vez eu percebi que não estava louco e sim que era o meu pai de verdade
- Papai! Papai! – eu gritei correndo em direção a voz dele, estávamos separado apenas por um caminhão entre nós, eu apenas corri e o abracei o mais forte que consegui, era ele mesmo, poder sentir o cheiro dele nunca foi tão bom.
Minha felicidade não durou muito, no instante em que meu pai falou que estava tudo bem eu comecei a chorar, como nunca havia chorado antes, eu pensei em tudo o que havia acontecido comigo naquele dia, apesar de ter chorado tanto eu estava feliz, feliz que finalmente estava reunido com meu pai de novo. Nos beijamos o mais longo e demorado beijo que tivemos, estávamos no meio de um estacionamento e diversas pessoas podiam nos ver, mas aquilo não importava, não mais.
[---]
Estava deitado em minha cama, não a de solteiro, mas a minha cama de casal com meu pai, havíamos chegado em casa algumas horas atrás, papai havia me dado um banho e cuidado dos meus machucados, ele também estava machucado, seus punhos estavam cheios de sangue, mas a maioria do sangue saiu enquanto ele me dava banho, apesar das mãos dele estarem machucadas aquele não era o sangue do meu pai, eu queria perguntar o que havia acontecido, como ele sabia aonde eu estava e o que havia acontecido com Michael, mas as mãos e o rosto dele já me davam todas as resposta que eu queria, eu conhecia meu pai, ele provavelmente nunca iria tocar naquele assunto novamente, iria trancar tudo dentro dele e nunca pensar naquilo novamente. O que era uma coisa boa, eu apenas queria que aquele dia acabasse logo e que tudo voltasse ao normal, apenas eu e meu pai e ninguém para nos atormentar.
Depois de cuidar de mim, papai me deixou sozinho em nosso quarto para que eu dormisse ele foi dormir no quarto de minha irmã, ele era grande demais para dormir confortavelmente na cama do meu antigo quarto, e eu tinha certeza que ele não queria dormir no quarto em que Michael estava hospedado, ele não queria me perturbar por isso havia me deixado sozinho, apesar de estar tão cansado eu não conseguia dormir, por alguma razão agora que eu estava seguro com meu pai, eu não conseguia dormir, não com tantas coisas em minha cabeça, o que aconteceria comigo se eu não tivesse fugido? Eu não queria saber, mas aquilo não saia de minha cabeça.
Depois de horas deitado sem conseguir dormir eu fui para o quarto onde meu pai estava, ele também estava acordado.
- O que foi? – Ele perguntou quando eu entrei no quarto e fechei a porta.
- Nada – eu disse, apenas deitei ao lado dele e escorei minha cabeça em seu peito, eu conseguia sentir a respiração dele e o seu coração bater, por alguma razão aquilo em acalmava e finalmente senti sono – Papai?
- Sim filho – ele disse, toda a casa estava silenciosa, a pessoa mais perto de nós estava quilômetros de distância éramos apenas eu e papai, como devia ser.
- Eu te amo – eu me lembrei de dizer bastante sonolento e antes de dormir eu consegui ouvir meu pai dizer.
- Eu também te amo filho.

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