Capítulo 09 | O FILHO MAIS NOVO

Enquanto papai tomava banho, Jonathan saiu do meu quarto e eu fui fazer o jantar, nós dois iriamos fingir que nada do que aconteceu hoje realmente aconteceu, e eu fiz Jonathan prometer que não brigaria com papai, seria um tarefa difícil fazer aqueles dois não brigarem, mas eu faria o possível para evitar que alguma coisa acontecesse.
Jonathan me deixou ocupado o dia inteiro, então naquela noite eu estava cansado, por isso apenas fiz macarrão, nos últimos dias eu tinha sido um pouco aventureiro e tentado fazer pratos que eu nunca tive a oportunidade de fazer antes, mas eu resolvi fazer alguma coisa que eu realmente sabia para aquele jantar. Papai deveria estar cansado de comer tanto macarrão, mas era a minha única opção.
Quando papai terminou de se banhar e desceu para o andar de baixo eu chamei ele e John para jantar, os dois sentaram de frente ao outro, e eu senti no meio deles, aquele seria um lugar para poder impedir que qualquer coisa fosse jogada, eu pensei.
- Eu espero que gostem – eu falei, começamos a comer em silêncio, um silêncio constrangedor.
- Como foi seu dia Elliot – meu pai disse depois de um tempinho.
- B-Bom – eu disse surpreso ainda com comida em minha boca.
- Nosso dia foi incrível – Jonathan disse pegando em minha mão – não é mesmo Eli?  Eu fiquei assustado, e meu pai não tinha entendido o que John tinha falado, mas parecia não ter gostado, eu apenas concordei com a cabeça.
- E o seu papai... – eu disse para poder mudar de assunto.
- Bem..., - ele disse com uma voz que ainda estava tentando entender o comentário de John – está sendo estranho passar o dia inteiro na empresa, mas já estou me acostumando – ele disse.
- Que bom, você falou com o Victor? – eu perguntei, Victor era meu irmão, o filho mais velho, nós nunca tivemos uma relação muito forte, talvez pois ele fosse treze anos mais velho que eu, e ele ter se mudado de casa para estudar quando eu tinha apenas quatro anos. Agora ele já tinha 30 anos, já estava na sua segunda esposa e tinha uma filha com a primeira, eu não falava muito nele, mas aquele era um assunto para manter a conversa continuando e sem brigas.
- Bem, ele está bem, trabalhando.
- Que bom – eu disse. Depois disso mais uma vez o silêncio segue.
- Onde você vai dormir – meu pai perguntou para Jonathan.
- Não sei – Jonathan disse tomando água – talvez no meu quarto, que agora é do Elliot - ele olhou para mim com um olhar que transbordava segundas intenções. Não sei se meu pai percebeu ou se ele apenas não gostou do que ouvir.
- Não! – ele disse – o quarto que era de Victor e David está vazio, você pode dormir lá, o Elliot troca a roupa de cama, você dois já são homens e precisam de privacidade.
- Eu não preciso disso depois de hoje – Jonathan disse baixo olhando para mim com o mesmo olhar
- O que?
- Nada – Jonathan brincou, meu pai não gostou
- Quanto tempo você vai ficar aqui? – meu pai perguntou ríspido
- Pai! – eu disse olhando para
- O que? Eu quero saber quanto tempo ele vai ficar aqui para sempre ou fugir feito covarde de novo.
- Pai – eu falei novamente
- Eu não vou fugir, e se você acha que seguir o que eu QUERO é ser covarde eu nem ima...
- Jonathan! – eu disse o interrompendo – você..., você não quer colocar as suas no quarto? Faz tempo que a gente não vai até lá então é bom abrir a janela – os dois já tinham terminado o jantar, eu ainda estava na metade, mas separar os dois era mais importante.
Jonathan olhou para mim e percebeu meu desespero – Okay, eu já terminei aqui de qualquer jeito – ele disse olhando para papai e saiu de uma vez da cadeira e foi para o andar de cima nos deixando sozinhos, eu olhei para meu indignado para ele.
- O que?
- Você prometeu, você prometeu que não iria brigar – eu segurei a mão dele.
- Eu sei, mas aquele garoto me deixa fora do sério, minha vontade é de...
- Pai – interrompi – por favor, eu não quero que os dois briguem, ele é meu irmão, e seu filho também.
- Tem dias que não parece que temos o mesmo sangue eu... – levantei da minha cadeira e me aproximei dele, o beijei na bochecha e ele arrastou a cadeira para trás para que eu pudesse sentar em seu colo, nos beijamos e eu sorri.
- Por favor, - eu disse – por mim.
- Okay – ele me beijou novamente – você vai passar a noite comigo?
- Mas e o Jonathan?
- O quarto dele é longe do meu, você pode muito bem ir lá no meio da noite e a gente – ele alisou minhas coxas – a gente podia passar o tempo 
- Sim eu sei – eu disse rindo – e se ele nos pegar? – eu disse, estava cansado, passei a tarde com Jonathan e tudo o que eu queria era dormir.
- Se ele nos pegar? Eu não me importo
- O que?
- Eu não me importo, não me importo se alguém nos descobrir, eu já te falei Elliot, eu te amo e não me importo de ter que abandonar tudo e todos se for para ficar com você – ouvir aquilo me fez ficar envergonhado, depois de ouvir tantas coisas de Jonathan, ouvir aquilo de meu pai me fez ficar feliz, eu não estava errado, meu pai me amava, de verdade e ele era bom, apesar de tudo com Jonathan meu pai era bom.
- Você realmente não se importa?
- Não
- E a nossa família? A sua empresa?
- Todos os meus filhos são adultos, eu tenho Victor para cuidar da empresa.
- Mas...
- Nós podemos fugir nesse instante, eu tenho dinheiro salvo para podermos ficar confortáveis o resto de nossas vidas.
- Papai... – Eu disse segurando em seu ombro e o beijei novamente, ouvir aquelas coisas apesar de não fazer o menor sentido me faziam amar meu pai mais ainda, eu sabia que nada daquilo aconteceria, mas me deixava calmo que meu pai tinha pensado tanto em nós dois.
Mas aquilo também me fazia ficar na dúvida e indeciso, o Jonathan não mentiria para mim, mas era difícil acreditar em tudo o que ele havia dito, para meu irmão nosso pai era um homem amargurado e cheio de raiva, eu não podia acreditar que ele negou ajudar Jonathan e que ele demitiu David.
- Pai – eu perguntei em meio aos nossos beijos
- Sim
- Mas você ainda ama o John, não é?
- O que?
- Apesar de tudo você ainda o ama, não é?
- Por que essa pergunta agora?
- Eu só quero saber, que apesar de todas essas brigas se o John pedisse ajuda você o ajudaria?
- Que tipo de pergunta é esse, que ajuda? Ele te falou alguma coisa?
- Não, eu só quero saber
- Sim eu o amo, mas com seu irmão é diferente, ele não precisa de ajudas, ele precisa aprender a se virar, as vezes a melhor ajuda é não ajudar e deixar que a pessoa ande pelos seus próprios pés – ele disse, aquilo me deixou apreensivo mas de certa forma aliviado, talvez meu pai não soubesse o que estava acontecendo com John, afinal ele era orgulhoso assim como meu pai.
- Eu só não quero que ele fique mais dois anos sem falar com a gente – falei triste.
- Elliot – meu pai segurou me rosto e o acariciou – se você quiser ele pode ficar aqui para o resto da vida, eu não quero te ver triste, e se é isso que você realmente quiser eu faço.
- Sim, sim! – eu disse e o abracei – eu quero!
- Então seu pedido é uma ordem – ele brincou – mas se ele quiser morar debaixo desse teto ele tem que seguir minhas ordens, do mesmo jeito que você segue ok? Eu não irei dar nenhum tratamento especial para ele.
- Sim, tudo bem – eu o beijei novamente.
- Agora, será se eu vou ganhar algo em troca? 
- Eu não sei, o que você quer em troca?
- Você sabe muito bem – ele apertou a minha bunda e começou a me beijar pelo pescoço – o que..., o que eu quero. Eu estava cansado, mas saber que John poderia ficar mais tempo em casa me deixou feliz.
- Tudo bem - eu disse tentando me separar dele – mas eu preciso limpar a mesa... lavar a louça
- Você pode fazer isso amanhã – ele disse ainda não me soltando.
- Papai... Eu tenho que levar as coisas para o quarto de Jonathan – meu pai finalmente parou com seus beijos e me soltou, eu me soltei e me levantei de seu colo.
- Bem, então faça isso rápido e me encontra no quarto tudo bem?
- Sim – eu disse, eu pai foi para o seu quarto e eu comecei a arrumar a mesa e depois de lavar a louça eu levei a roupa de cama, edredom e travesseiros para Jonathan em seu quarto, quando eu entrei no quarto ele estava apenas sentado na cama encarando o nada.
- Tudo bem? – eu disse fechando a porta com uma mão, e tentando equilibrar a pilha de coisas que eu levava com a outra.
- Sim
- Tem certeza? – eu coloquei as coisas em um canto da cama e me sentei ao lado de Jonathan.
- Sim, é só que..., será que a nossa família tem algum problema?
- Com assim?
- As coisas que acontecem com a gente, que aconteceram só hoje... não acontece com as outras famílias.
- Eu sei...
- Mas pelo menos nós ainda continuamos juntos, não é? Apesar de tudo...
- Será? A mamãe era quem nos unia, agora que ela não está mais aqui, as vezes nem parece que somos uma família, sem a mamãe somos apenas conhecidos.
- Isso não é verdade
- Como não? Você tem alguma coisa em comum com David e Victor, com o papai ou comigo? A única coisa que nós temos em comum é o nosso...
- Sangue – eu disse completando, aquilo era a mesma coisa que papai havia dito.
- Sim. O que nós fizemos hoje...
- No uni de certa forma – eu disse.
- Não. O que fizemos hoje deveria ser errado, eu deveria me sentir culpado, mas eu não me sinto
- Nem eu, então qual o problema
- Se uma pessoa normal soubesse sobre você e o papai ela iria surtar, mas eu não surtei.
- Mais ou menos
- Será que a gente tem algum problema de verdade?
- E se termos? O que que tem? – eu disse, Jonathan olhou para mim e sorriu - O papai disse que você pode ficar aqui o tempo que você quiser – disse tentando mudar de assunto.
- Eu sei
- Como?
- Eu estava escutando tudo o que vocês conversaram – eu me surpreendi com aquilo
- O que?
- Foi estranho ver vocês... ver vocês daquele jeito, mas não o estranho normal, não fiquei com raiva do meu pai estar beijando meu irmãozinho, eu fiquei com raiva de que não era eu, eu fiquei com ciúmes
- John...
- Eu sei o que combinamos e eu não vou impedir você de fazer alguma coisa que você não queria, diferente dele eu não me importo, contanto que você não minta para mim eu não me importo.
- Eu não vou mentir para você – eu disse
- Eu sei, eu sei. Eu sei que depois de sair daqui você vai para o quarto dele e você vão... Não me entenda mal, eu não me importo com isso, contanto que possamos continuar com isso, eu não me importo em dividir você – ele me beijou.
- Você tem certeza? Eu sei que isso possa ser difícil, espacialmente com o papai.
- Tenho, eu tenho que me acostumar ainda, mas eu tenho consciências do que estou falando, talvez isso seja a minha ruina, mas sim – ele disse, eu segurei seu rosto, não gostava de ouvir aquele tipo de coisas, não queria ver nem meu pai e nem Jonathan para baixo, eu o beijei e nos beijamos novamente os lábios de Jonathan eram quentes e me derretiam completamente que eu os sentia juntos com os meus – além do mais eu nunca vou declinar uma oportunidade de fazer o papai de idiota  - ele riu, eu não ri, mas ver que Jonathan estava tranquilo com tudo o que estava acontecendo me fez feliz, eu estava feliz que não precisava mentir ao menos para uma pessoa.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DESEJO - EP1

VERÃO ARDENTE | Apresentação + Personagens

Capítulo 06: Papai... | FIGURA PATERNA