Capítulo 08 | O FILHO MAIS NOVO

Quando eu acordei de meu cochilo nós ainda estávamos na mesma posição, minha cabeça em seu peito e Jonathan ainda me abraçava, meu irmão ainda estava dormindo, por isso me desfiz do seu abraço e me levantei do chão como maior cuidado possível, ainda nu fui para o banheiro tomar banho, eu ainda estava completamente sujo de porra, mas eu não estava reclamando.

Liguei o chuveiro e me banhei, quando estava lavando meu cabelo Jonathan apareceu na porta do banheiro que estava aberta, ele se escorou no batente da porta com os ombros, ele estava completamente vestido, ele desviou o olhar de mim quando percebeu que eu estava nu, mesmo depois do que tínhamos feito.

- Eli...
- Jonathan! - eu disse em resposta.
- Bem, eu... é.... O que aconteceu agora
- Eu sei, não precisa dizer – eu disse eu estava tirando o shampoo do meu cabelo – isso aconteceu apenas uma vez e não vai acontecer de novo.
- Elliot – Jonathan disse assustado
- Jonathan, eu não sou uma criança, eu também não sou o menino inocente e assustado que todo mundo acha que eu sou.
- O que você vai fazer com o papai?
- Eu... Eu não sei
- Se você quiser eu vou com você
- Comigo? Aonde?
- Elliot, o que o papai fez com você foi estupro, você é menor de idade você...
- Não! – eu o interrompi – Jonathan eu não vou denunciar o papai, meu deus, ele é seu pai também, porque você o odeia tanto.
- Eu não o odeio, eu não me importava com o que ele fazia até ver o que ele fez com você, ele tem que pagar por isso – ele fechou as duas mãos em punhos – se você não fizer, eu vou.
- Jonathan! – eu disse, ele saiu do banheiro, e eu fui em sua direção, molhado, quando o alcancei ainda em meu quarto eu o segurei pelo seu braço – não
-Elliot! – ele disse quando se virou e viu que eu estava encharcado e pelado.
- Se você fizer isso com o papai eu... eu também denuncio você! – Jonathan ficou surpreso com aquilo
- O que?
- Sim! – eu disse – se o que ele “fez” foi tão errado, você é tão culpado como ele, eu ainda sinto o gosto do seu gozo em minha boca
- Elliot você não...
- Sim” Sim eu faria. Jonathan do mesmo jeito que eu quis fazer o que fiz com você eu fiz com o papai, ele nunca me obrigou a fazer nada que eu não quisesse.
- Elliot, ele te manipulou.
- Eu não me importo, ele estava triste, ele não levantada da cama, se o que fizemos deixou ele alegre eu não me importo.
- Elliot – Jonathan me abraçou – você não precisa fazer isso, você tem que pensar em você, fazer coisas para outras pessoas não faz diferença se você estiver triste.
- Eu...
- Eu sei que você quer ser como ela, mas Elliot a mamãe morreu, ela não vai voltar.
- Eu sei disso – eu falei, meus olhos começaram a lacrimejar, eu queria tanto chorar, mas tentei a todo custo impedir, eu não conseguia para de pensar naquela noite, a noite em que a mamãe... a promessa que eu fiz.
- Eu também sinto a falta dela, mas a mamãe não era uma santa, ela tinha os seus próprios demônios, e tentar ser ela não vai honrar a memória dela.
- Mas, mas eu prometi – eu disse, aquilo havia saído de minha boca sem que eu pensasse
- Prometido? O que você prometeu? – Jonathan acabou com o abraço e ainda me segurando pelos braços ele olhou em meus olhos – o que você prometeu Elliot?
- Nada, eu...
- Elliot!
- Quando a mamãe... quando a mamãe morreu ela m efe prometer....
- O que?
- Ela pediu que eu cuidasse do papai, a todo custo, pois ele ficaria arrasado
- Elliot ela não pediu que você...
- Não! Mas ela falou que eu deveria cuidar dele, de qualquer maneira, porque você o David e o Victor já tinha vidas longe daqui, e ele só teria a mim, e... e eu tentei, mas não acontecia nada ele só reagiu quando...
- Quando?
- Ele nunca falava mais que duas palavras, e quando ele pediu para eu dormir na cama dele eu fiquei feliz porque eu podia fazer alguma coisa para ele, ajuda-lo. E depois disso ele ficou feliz, ele fez o café da manhã ele...
- Elliot, a mamãe não pediu que você fizesse isso, ela só não queria que... O relacionamento dela e com o papai não era saudável Elliot, você sabe disso.
- O que?
- Elliot, não se finja de desentendido, você sabe muito bem como o papai a tratava.
- Não.
- Porque você acha que a mamãe não tinha amigas, não trabalhava, que a gente mal falava com nossos vizinhos?
- Não, a mamãe...
- Eli o papai não deixava a mamãe ter essas coisas, porque se ela tivesse ela iria perceber o jeito que ele a tratava, ele é autoritário, ele não gostava quando ela saía sozinha, ou quando trazia alguma amiga para casa, ele não gostava de não estar no controle, ele detesta não estar no controle. Me conta quando vocês começaram a dormir juntos, o que ele fez?
- Nada. A gente só dormia, era só isso
- E quando vocês começaram a transar?
- Nós havíamos brigado então eu dormi no meu quarto
- Por quê?
- Ele... – eu percebi o que Jonathan queria dizer, mas não queria falar em voz alta porque eu estaria dando outro motivo para Jonathan, e eu tinha certeza que o que aconteceu não tinha haver com o que Jonathan falou. A mamãe amava meu pai, e meu pai a amava mais ainda, ele não iria fazer aquelas coisas que Jonathan disse.
- Elliot! – Jonathan gritou e me balançou – fala, porque vocês brigaram?
- Eu tinha saído de casa e tinha falado com o Sr. Langmore e ele....
- Deixa eu adivinhar, ele não gostou de você ter saído sem ele deixar?
- Não, ele... o Sr. ...
- Sim ou não Elliot
- S-Sim.
- Quem fez o primeiro movimento, ele te tocou primeiro?
Eu não queria responder aquilo – eu não sei – eu sabia, mas falar aquilo apenas faria Jonathan odiar meu pai ainda mais.
- Você tem que saber Elliot, foi a sua primeira vez, com seu próprio pai, você não tem como não lembrar.
- Fui eu! – eu disse – fui eu, eu voltei para o quarto dele naquela noite e quando eu me deitei eu... eu... eu... ele estava pelado então eu, toquei e... ele tentou me parar... mas eu continuei, fui eu, eu quem começou tudo, a culpa é minha, é tudo a minha culpa – eu disse, não eu gritei, não consegui segurar e chorei, como nunca chorei antes, falar aquilo foi difícil, eu não queria que Jonathan denunciasse meu pai, eu estava blefando eu nunca denunciaria meu próprio irmão, então eu tinha que fazer alguma coisa, mesmo se eu tivesse que mentir.
- Elliot... – Jonathan me soltou e segurou meu rosto, ele me abraçou mais uma vez – você tem certeza?
- S-Sim – eu disse enquanto era amassado pelo abraço de meu irmão.
- Me desculpe eu não queria...
- Eu... Eu amo o papai, eu comecei tudo, se tem alguém que se aproveitou fui eu, ele estava triste e eu tirei vantagem disso, a culpa é minha – eu falei chorando – a culpa é minha.
- Não Elliot, me desculpa eu não deveria, meu deus eu não deveria ter te provocado, eu não deveria ter... – Jonathan se soltou de mim e foi para longe, eu peguei um roupão no banheiro e quando voltei Jonathan estava sentado no chão, encarando o nada – Elliot o que eu fiz com você – quando ele se virou para mim eu vi lagrimas em seu rosto – me desculpa eu... eu não estava pensando, eu não acredito que eu te fiz...
- Você não fez nada – eu disse, eu me ajoelhei do seu lado, Jonathan deitou sua cabeça em meu colo – eu podia ter te impedido, mas eu não fiz, eu quis isso, talvez mais do que eu devesse.
- Eu... O que há de errado comigo? Ninguém norma pensaria em fazer aquilo nessa situação, me... me desculpe.
- Não! – eu disse alisando seu cabelo e olhando em seus olhos – não foi nada de mais, o aconteceu, aconteceu, a gente não pode mais desfazer isso, a gente...
Jonathan tocou em meu rosto e alisou minha bochecha com seu indicador. – Eu gostei Elliot, eu gostei, eu não devia, mas eu gostei
- Foi desejo, não amor, não é mesmo? – eu brinquei, ele sorriu por alguns segundos.
- Depois de tantas vezes, eu nunca achei que eu gostaria de novo, mas com você... com você foi diferente deles...
- Deles? – Jonathan percebeu o que ele tinha falado e eu vi que ele se arrependeu.
- Nada – ele disse se levantado e ficando de costas para mim
- Jon? – eu disse eu toquei seu ombro, mas ele tirou minhas mãos dele – o que aconteceu, você esta bem?
- Nada, não foi nada
- Jonathan... – eu disse – você estava se referindo a isso naquela hora? – ele olhou com dúvida para mim – quando você disse que aquela não seria a pior coisa que a gente teria feito? Eu fiz com que meu pai transasse comigo – eu menti – e você, o que você fez de tão ruim para que transar com seu irmão não ser a pior coisa?
- Eu...  – eu segurei sua mão – quando eu me mudei para L.A eu... perdi tudo o que eu tinha guardado tão rápido que eu...
- Você não teve onde morar?
- Sim, eu fiquei nas ruas durante dias, sem comer, tomar banho.
- Porque você não ligou para nós?
- Eu liguei, a mamãe iria m ajudar, mas o papai não deixou, eu não contei que estava nas ruas, mas... Se ele não fosse assim, talvez eu... é culpa dele que eu...
- Que você o que?
- Eu não tinha dinheiro Eli, eu precisava de dinheiro, então um carro parou na minha frente e, e eu entrei – parecia que Jonathan tinha contado seu pior segredo, eu não havia entendido, mas depois de algum tempo eu pensei, não poderia ser aquilo, mas pelo rosto dele era mesmo.
- John... – eu disse e o abracei, ele começou a chorar – eu não me importo, como eu disse, isso ficou no passado, não importa mais, o que importa que você está aqui agora, que nós estamos juntos...
- Mas eu...
- Eu te amo John, o papai te ama, o David te ama, o Victor te ama, você não tem que passar por isso sozinho.
Nós ficamos abraçado sentado no chão por algum tempo, quando nos levantamos eu ajudei o Jonathan a ir para o banheiro tomar banho, eu quis sair, mas ele segurou minha mão e eu entrei no box com ele, tomamos banho juntos e nos beijamos
- Eu te amo também Elliot – Jonathan disse – mais do que eu deveria te amar – eu sorri, e o beijei novamente, estava feliz por ele ter falado aquilo, estava feliz por ter o ajudado.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DESEJO - EP1

VERÃO ARDENTE | Apresentação + Personagens

Capítulo 06: Papai... | FIGURA PATERNA