Capítulo 04 | O FILHO MAIS NOVO

O FILHO MAIS NOVO

Capítulo 04:
Já faziam dois dias desde a minha conversa com o meu pai e desde então eu tentava evitar ele o máximo possível, ele voltou a trabalhar antes do previsto sem sequer me avisar, as minhas férias estavam acabando e eu rezava para que elas passassem o mais rápido possível, assim eu poderia ocupar a minha mente com alguma outra coisa além de pensar em meu pai e pensar naquela noite. Eu ainda podia sentir os toques do meu pai em meu corpo, o gosta da boca dele. Por alguns segundo a luxuria tomava conta de mim, e sempre que eu pensava que queria mais do que eu provei naquela noite a imagem da minha mãe aparecia.
Minha mãe era a melhor pessoa do mundo, a mais gentil e talvez a única mulher que eu poderia algum dia amar, e fazer aquilo era simplesmente corromper a memória e o legado que minha mãe havia deixado. Eu podia imaginar o olhar de desgosta que ela olharia para mim. Além de tudo, havia meus irmãos, o que eles pensariam de mim? Eu aproveitei um momento de fraqueza do meu pai, onde ele estava triste e fiz o que um filho nunca deveria fazer com o seu pai. Se fosse alguma outra mulher eu tinha certeza que pensaria mal dela, minha mãe mal tinha acabado de morrer e ele já estava dividindo a cama com outra, e por seu eu essa pessoa, tudo ficava ainda mais difícil.
O dia tinha uma rotina fixa, eu acordava e meu pai já tinha ido para o trabalho, ele fazia o café e eu tomava depois, eu ficava o dia inteiro sem fazer nada apenas pensando no que tinha feito esperando por meu pai, para quando ele de fato chegasse eu me esconder no meu quarto. Trocamos apenas algumas palavras nesses dois dias, meu pai estava me dando espaço e eu fugia cada vez mais dele. 
Eu não queria que aquela fosse a relação que eu tinha com meu pai, mas eu não via outro jeito, eu sabia se ficássemos próximos como antes eu não iria resistir, por isso aquela era a nossa única opção. Quando eu não queria fazer algo para comer eu sempre pedia algo, ou as vezes nem comia, não falei com ninguém naqueles dias, apenas vi o Sr. Langmore na cerca de sua casa algumas vezes, mas apenas nos cumprimentamos.
Naquele dia eu acordei tarde, não queria me encontrar com o meu pai, ele já havia ido embora quando eu saí do meu quarto, estava apensa com um short curto e sem camisa, afinal era verão e fazia um calor insuportável, tomei meu café da manhã e limpei a bagunça da cozinha. Não fiz nada durante toda a manhã apenas assisti televisão e belisquei algumas coisas na geladeira.
O calor estava tão forte naquele dia que decidi mergulhar na piscina, fazia tempo que eu não nadava e seria algo que me tiraria da monotonia que estava sendo aqueles dias. Enquanto eu boiava pela piscina eu pensava em como os dias eram melhores quando meu pai estava em casa, mesmo ele ficando no quarto a maior parte do tempo e o motivo ser a morte de minha mãe, foi bom ter ele por perto, ainda mais em uma época que eu precisava tanto dele, eu sentia saudades dele, de conversar com ele e de estar apenas perto dele.
Eu sabia que o que fizemos foi errado, mas ele era o meu pai no final das contas e o nosso laço de sangue nunca iria terminar, estávamos presos um ao outro de certa forma. As coisas não poderiam ficar do jeito que estavam, eu precisava do meu pai, não podia perder meu pai e minha mãe de uma vez, mas será que aquela noite seria esquecida? Será que havia alguma coisa que poderia salvar nossa relação? Eu sabia que a nossa convivência seria difícil, mas eu queria que houvesse uma convivência entre nós, não queria que fossemos apenas estranhos.
- Elliot? – eu ouvi minha voz ser chamada. Era o Sr. Langmore do outro lado da cerca
- Oi Sr. Langmore – eu disse me virando de bruços da boia e tirando meus óculos escuros. – Tudo bem?
- Sim e com você? – ele falou
- Também.
- Como o seu pai está? 
- Bem, na medida que possível sabe.
- Ele está em casa agora?
- Não, ele está trabalhando.
- Ah, ele vai demorar chegar?
- Sim só à noite.
- Sim, e você. Como você está?
- Bom... Bem na medida que possível – eu disse rindo.
- Sim entendo. O Sol está quente hoje.
- Sim
- Eu acabei de fazer uma limonada fresca, você não quer? Está bem gelada.
- Okay, eu aceito – eu disse – só me deixa colocar uma roupa que eu...
- Não! Não precisa de formalidade, já nos conhecemos muito pra esse tipo de coisa, pode vir do jeito que você está, ninguém vai ver não é mesmo?
- Sim – eu estava apenas com uma sunga, o dia estava quente e perfeito para eu me bronzear.
Quando eu saí da piscina fui direto para casa do Sr. Langmore, eu passei havia uma porta na cerca que dividia as nossas casas, era mais fácil, assim eu não teria que passar pela frente onde todos na rua poderiam me ver daquele jeito. A casa do Sr. Langmore era um pouco menor que a nossa, por dentro e por fora, não tinha nenhuma piscina e havia apenas um andar térreo, naquele dia a casa estava escura, as cortinas estavam fechadas e apesar de ser dia e o Sol atravessar as cortinas ainda havia um ar mais escuro naquele lugar, eu lembro que quando entrei na casa um arrepio passou por todo o meu corpo.
- Aqui – O Sr. Langmore falou me dando um grande copo de limonada cheio de cubos de gelo.
- Obrigado – eu disse pegando o copo.
- Vem, vamos para a sala de estar.
- Okay
- Então Elliot como você está? 
- Eu? Eu estou bem
- Sim, sim você é um garoto forte já é quase um homem não é, perder a mãe não é uma coisa fácil.
- Sim, eu ainda sinto muita falta dela.
- Eu sei, eu m lembro quando perdi a minha mãe, eu era um pouco mais velho que você.
- Eu sinto muito
- Não, tudo bem já faz bastante tempo. Naquela época na sua idade já éramos homens feitos, com responsabilidade, hoje as coisas são diferentes.
- Sim – eu disse soltando uma gargalhada tímida e nervosa enquanto bebia minha limonada.
- E perder alguém próximo como a mãe, te faz crescer mais rápido, sabe, meio que indiretamente eu te vi crescer, eu me lembro quando seus pais mudaram para a casa ao lado, quando a sua mãe engravidou dos seus irmãos e de você, e olhe você hoje, um homem feito, vai estar fazendo faculdade em poucos messes. – O Sr. Langmore se sentou no mesmo sofá em que eu estava e se aproximou de mim colocando sua mão em uma de minhas coxas – a faculdade pode ser um lugar de muito aprendizados para uma pessoa como você, o que você pretende estudar?
- Eu estava pensando em fazer... jornalismo – eu disse, o olhar do Sr. Langmore estava diferente, todo o meu corpo se arrepiou com a proximidade dele.
- Jornalismo, você tem mesmo a cara de jornalismo, não é um trabalho pesado para um garoto tão delicado como você.
- S... Sim
- Elliot em todo esse tempo em que te conheço, sua vida inteira, eu nunca vi você com uma namorada, eu sempre tive minha falecida esposa sempre teve duvidas sobre você, não que isso importe agora, afinal ela morreu faz anos.
- Dú... dúvidas?
- Sim, coisas de pessoas mais velhas sabe. Certa noite semana passada, eu estava dando uma caminhada noturna e não deixei de notar um certo barulho vindo da sua casa
- Barulhos? Que tipo de barulho.
- No começo eu pensei que era algum ladrão ou coisa do tipo, por isso me aproximei, mas não era uma invasão, o barulho me lembrava outra coisa, você não recebeu nenhuma visita essa semana se eu não me engano, não é?
- Não...
- Então se apenas você e seu pai estavam lá, aqueles barulhos deviam ser alguma coisa da minha mente.
- Sim... Eu acho que eu deveria ir em...
- Elliot, o seu pai não fez nada com você, não é, te tocou...
- Não! Meu pai nunca faria isso – eu disse, não poderia deixar alguém pensar aquilo do meu pai, o Sr. Langmore segurou forte no pulso e aproximou seu rosto do meu.
- Então aqueles barulhos que eu ouvi de noite?
- Eu... Eu...
- Você se comportou mal e seu pai estava te punindo é isso 
- Como?
- Você deve ter sido um garotinho muito mau para aquele tipo de punição
- Eu... Eu quero ir embora, Sr. Langmore – eu tentei sair, mas ele me segurava forte pelos pulsos, eu conseguia sentir a respiração dele em meu rosto, minhas pernas estavam bambas para correr, havia alguma coisa errada.
- Por que você não mostra para mim o que você e seu pai estavam fazendo acordado àquela hora da noite?
- Eu...

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