Capítulo 03 (Segunda Parte) | O FILHO MAIS NOVO

O FILHO MAIS NOVO

Capítulo 03(Segunda Parte):
Eu acordei do que parecia mais do que um simples sonho, eu não estava sozinho, meu pai estava comigo me abraçando, tão perto que eu conseguia sentir a sua respiração em minhas costas, a primeira coisa que pude fazer foi dar um grande sorriso, ter meu pai tão perto de mim não me trazia nada além de felicidade.
A noite que tivemos foi fantástica, os momentos que experienciei com ele foram inesquecíveis e poder passar o resto da noite abraçado com ele foi o melhor jeito de acabar aquela noite. Eu estava relutante e apreensivo, não sabia o que aconteceria, aquela foi a primeira vez que eu abri meu coração para alguém, e esse alguém era meu próprio pai, o que deixava as coisas ainda mais difíceis já que nada retornaria ao jeito que era independente da reação de meu pai.
Quando meu pai se levantou do chão e me beijou, aquilo foi a resposta que eu precisava, ainda tinha alguma coisa dentro de mim que queria fugir dali, mas a emoção do meu corpo falou mais alto, eu queria aquilo no final das contas, eu queria ter meu pai daquele jeito, e eu queria ser do meu pai.
Aquela foi a minha primeira vez, a primeira vez que estive com alguém, sempre fui muito tímido e a ideia de ser rejeitado ajudaram em minha inexperiência em relação ao corpo de outra pessoa, mas meu pai sabia daquilo, eu nunca falei diretamente aquilo para ele, mas acho que ele conseguia ver em meus olhos que tudo aquilo era novo para mim e me conduziu perfeitamente, ele era a junção perfeita de viril e sensível.
Já acordado eu me virei de frente para o meu pai, ele, ainda dormindo, estava com uma expressão tão suave no rosto, e um sorriso bobo em seus lábios, eu sorri ao vê-lo, eu sabia que faria aquilo sempre que visse meu pai, imaginei quantas vezes eu irei vê-lo dormir ou quantas vezes estarei ao seu lado quando ele acordar. Com todo o cuidado possível eu me aproximei de seu rosto e dei um selinho em seus lábios, e depois outro e por fim um terceiro.
Meu pai sorriu mais uma vez, e eu em seguida, ele estava acordando – Bom dia! – eu disse calmo e tenro. Meu pai sorriu mais uma vez e disse: - Adele – ouvir aquele nome me fez automaticamente cair das nuvens, aquilo acontecia sempre que eu ouvia aquele nome, mas ouvir o nome de minha mãe, depois de tudo o que eu fiz com o meu pai fez com que meu coração rachasse.
Era impressionante o que apenas uma palavra podia fazer com uma pessoa. Aquilo que eu estava sentindo dentro de mim, passou em questão de segundos do amor mais forte para talvez a pior humilhação de minha vida. Não pelo motivo de meu pai ter me chamado pelo nome de minha mãe, mas pelo o que eu fiz com ela. “O que ela faria se descobrisse o que tinha acontecido?” “O que aconteceria se ela estivesse viva?” foram algumas das coisas que me vieram. O que eu tinha feito? Eu havia dormido com meu pai, meu próprio pai, o mesmo que me viu crescer do lado de minha mãe, e o pior de tudo, eu ter gostado tanto daquilo.
Me sentei na cama desesperado, o ar não entrava ou saía de meu corpo normalmente, estava tendo um ataque de pânico, eu tinha vivido alguns deles, que se intensificaram quando minha mãe morreu. Já faziam algumas semanas que eu não tinha nenhum episódio daqueles, mas ouvir aquilo de meu pai fez com que todo o meu corpo entrasse em pânico.
- Elliot – eu ouvi meu pai dizer atrás de mim enquanto se sentava na cama – está tudo bem? – Eu não respondi, eu não podia e nem sabia como respondê-lo.
Ele logo entendeu que eu estava tendo um ataque de pânico, ele presenciou a maioria de meus ataques e sempre ficava comigo até tudo se acalmar, mas daquela vez foi diferente, ele tentou me acalmar, passou as suas mãos em meus ombros e falava palavras suaves que sabia que me acalmaria, e por fim ele beijava meu pescoço, este último era uma novidade.
Sua tentativa de me acalmar apenas me fez sentir ainda mais culpado, eu conseguia ver minha mãe nos observando eu conseguia sentir o seu desapontamento comigo, como eu tinha sido um filho ingrato e como eu a enojava. Agora eu conhecia meu pai não só como meu pai, mas sim como um homem, eu sabia o gosto dele e havia gostado.
Eu não conseguia mais ficar ali, com a áurea de minha mãe pairando e me julgando, eu queria chorar, gritar e parar de existir, queria que tudo o que passei na última noite deixasse de ter acontecido eu me envergonhava de tudo aquilo, eu me envergonhava de mim mesmo e sentia nojo pelo o que eu fiz com meu pai.
- Elliot? – meu pai gritou me seguindo sem entender nada o que estava acontecendo. Eu entrei no banheiro e me sentei na banheira vazia, não queria ir para o meu quarto, eu estava lá enquanto pensava todas aquelas perversidades sobre meu pai. Eu não tranquei a porta, não tive tempo e nem mente para fazer, meu pai logo entrou no banheiro e se sentou do lado da banheira.
- Elliot o que acontecer – ele dizia enquanto se aproximava de mim,
- E... eu... – eu não sabia o que dizer, era como se tivesse esquecido como formar uma frase, meu ataque de pânico estava passando, mas meu arrependimento não.
- O que? – ele perguntou mais uma vez, meu pai estava calmo, não tinha ansiedade, apenas demonstrava preocupação comigo, ele começou a acariciar meu cabelo, seu rosto se aproximou do meu, nos olhávamos olho no olho.
- É sobre ontem? – eu não sabia como responder, apenas balancei minha cabeça.
- Você não gostou? 
- Si... sim eu gostei – disse finalmente.
- E esse é o problema, não é? – ele disse
- Sim. Eu gostei.
- Elliot, eu sei o que aconteceu ontem à noite, e foi talvez a melhor noite da minha vida, junto com o nascimento de você e seus irmão, eu não trocaria essa noite por nada em minha vida. E você ter gostado tanto quanto eu talvez melhore ainda mais o momento – enquanto ele falava ele me acariciava e olhava no fundo dos meus olhos, sua voz, sua presença sempre me acalmavam.
- Eu entendo como isso deve ser difícil para você, é difícil para mim então imagina para você que é apenas uma criança. Talvez eu tenha errado em fazer isso, em te colocar em uma situação que nenhuma pessoa da sua idade deveria estar. Eu te amo Elliot, de uma forma que eu não consigo colocar em palavras, e eu nunca vou deixar de te amar, seja como meu filho ou da forma que eu te amei ontem.
- Pai... eu...
- Eu não quero fazer nada que você não queira Elliot, se você quiser que apenas sejamos pai e filho eu aceitarei, sei que as coisas não voltarão a ser como antes, mas o máximo que podemos fazer é tentar. E entenderei se você nunca quiser falar comigo, em alguns messes você poderá ir embora e nunca mais voltar – ele pegou minha mãe e olhou ainda mais fundo em meus olhos, como se ele estivesse falando com a minha alma – é isso o que você quer Elliot, que sejamos apenas pai e filho?
Eu não sabia o que responder, havia uma parte de mim que não queria, que queria viver a noite anterior o resto da vida, mas minha apreensão apenas piorava, ele fazer aquela pergunta, naquele momento era tudo que eu menos queria. Eu sabia que havia apenas bondade e amor no coração de meu pai, mas tudo que partia dele me deixava confuso, eu não sabia o que sentia, não sabia o que queria. – S... Sim eu quero – eu disse, falar aquelas palavras me doeu, muito, mas eu sabia que era o que eu tinha que falar naquele momento, minha cabeça girava e tudo estava desfocado e ao contrário. Não sabia se iria me arrepender de dizer aquilo, mas por um segundo eu me senti mais calmo, talvez tudo pudesse voltar ao normal.

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