Capítulo 02 | O FILHO MAIS NOVO
O FILHO MAIS NOVO
Capítulo 02:
Meu pai estava alegre, naquele dia ele até tinha assistido um filme comigo, passamos a tarde juntos e jantamos juntos sentados no sofá, pedimos comida, mas não foi um problema, estávamos voltando a ser a família que éramos, mesmo agora sendo apenas nós dois. Quando terminamos de comer juntei todo o lixo que fizemos e joguei fora, mas a lata estava cheia, e na próxima manhã o caminhão de lixo iria passar, então peguei o saco e levei para fora.
Quando estava colocando o saco na lata de lixo, um de nossos vizinhos apareceu o Sr. Langmore, ele morava na casa ao lado da nossa, e ele sempre fora um amigo de meu pai. Ele tinha uns sessenta anos, já era aposentado e tinha um físico bem jovial para sua idade ele não tinha aquela barriga mais avantajada que os homens de sua idade geralmente têm, e ele ainda tinha alguns cabelos mais escuros, mais era perceptível que seus cabelos brancos tomariam conta em pouco tempo. Divorciado, minha mãe sempre nos fazia visita-lo e passar tempo com ele, ela sempre o achou muito solitário.
- Boa noite Sr. Langmore – eu disse o cumprimentando.
- Boa noite Elliot, tudo bem?
- Sim, e com o senhor.
- Tudo e como estão as coisas, está tudo bem com o seu pai? – ele disse, a última vez que eu o vi foi no funeral de minha mãe, ele foi um dos que foram embora por último, o Sr. Langmore era um bom homem.
- Sim, quer dizer as coisas estão melhores agora, ele irá voltar a trabalhar em alguns dias.
- Que bom, tudo o que aconteceu deve ser difícil para você, um menino tão novo.
- Eu não sou tão novo assim, já tenho dezessete anos, farei dezoito em alguns messes, ano que vem irei para a faculdade.
- Eu sei, sabe eu ainda lembro de você e seus irmãos correndo pelo quintal quando vocês eram crianças, você sempre atrás o mais pequeno de todos – o Sr. Langmore colocou a mão em meu ombro e olhou em meus olhos.
- Eu estou aqui à poucos metros de vocês se você precisar você sabe, não é?
- Sim Sr. Langmore eu sei, obrigado por se preocupar tanto conosco.
- Não é por nada, eu sempre gostei de sua família, e principalmente de você Elliot, quando você ia me visitar e passava o dia comigo lembra?
- Sim – os toques do Sr. Langmore até pareciam caricias em meu ombro se eu não o conhecesse melhor.
- Você poderia passar em minha casa qualquer dia desses para botar o papo em dia, ou eu sou muito velho para você passar o tempo?
- Não, que isso. Eu passo em sua casa um dia desses.
- Talvez quando o seu pai voltar a trabalhar, você vai ter mais tempo, não é?
- Sim.
- Deve ser muito difícil cuidar dele agora que sua mãe não está aqui mais.
- É, mas eu estou dando conta do recado.
- Todo esse peso nas suas costas, você assim tão novinho.
- Elliot! – meu pai gritou meu novo dentro de casa, aquela era a minha deixa, apesar de ser legal, o Sr. Langmore podia ser bem estranho, o quarto dele era em frente ao meu, e a noite eu sempre via um vulto atrás das cortinas espreitando meu quarto.
- Desculpe Sr. Langmore, eu tenho que ir
- Sim, claro, mas não se esqueça de nosso trato okay?
- Trato,
- Você me visitar assim que seu pai voltar a trabalhar
- Okay – eu disse me afastando dele, minha mãe me proibiu de visitar Sr. Langmore no último ano, e desde então ele sequer falou comigo, ele apenas acena as vezes quando nos víamos, aquela era a primeira vez em muito tempo em que conversávamos.
Quando entrei em casa meu pai estava em pé na cozinha me procurando
- O que aconteceu? – ele disse
- Nada, fui levar o lixo para fora e encontrei o Sr. Langmore – papai concordou com a cabeça
- Não faça mais isso.
- O quê?
- Sair sem avisar, eu quero saber aonde você está em todos os lugares entendeu?
-Por quê?
- Porque eu sou seu pai e isso é uma ordem, você não sai para algum lugar sem eu deixar entendeu? - papai estava agindo estranho, ele estava preocupado, será que era por causa de minha mãe?
- Tudo bem – eu disse baixo concordando com ele.
- Olha aqui – ele disse chegando mais perto e segurando meu pulso, - eu te amo, e eu não quero que aconteça o mesmo que aconteceu com sua mãe, eu quero saber aonde você está vinte e quatro horas por dia, isso vai pelo menos tirar minha aflição, saber que você está seguro Elliot.
- Eu sei, mas... – eu disse – mas você vai voltar a trabalhar em alguns dias, e eu para a escola, e em poucos meses eu vou para a faculdade.... Eu já tenho 17 anos eu sei me cuidar
- Eu não me importo, eu sou seu pai e sempre vou me preocupar com você
- Eu sei pai, mas....
- “Mas” nada, essa é uma ordem e não um pedido entendeu? – eu não queria responde, mas meu pai exigiu uma resposta com o olhar.
- Sim – eu disse fazendo birra.
- Sim o quê?
- Sim, senhor – eu falei irritado, foi quando eu senti minha bochecha ficar quente e meu rosto se move, meu pai me deu um tapa, um tapa bem forte
- Eu sou seu pai, e te dou tudo e o mínimo que você tem de ter é respeito – eu não sabia o que fazer, eu fiquei estagnado parado olhando para ele, que ainda estava irritado.
Eu corri, corri para o meu quarto e me tranquei lá, meu pai nunca havia me batido antes, e aquele tapa foi bem forte, eu com certeza ficaria com uma marca em meu rosto, eu chorei, apesar de parecer idiota eu chorei litro em meu travesseiro. Meu pai depois de alguns minutos bate em minha porta.
- Filho? – ele falou, seu humor estava bem mais calmo. – Elliot? Elliot por favor abre a porta – eu não respondi fiquei em silêncio, ele logo parou e foi embora.
Aquela era a primeira noite que eu iria dormir em meu quarto, e ele parecia bem maior do que eu lembrava, e mais frio. Todo aquele choro me deixou desconfortavelmente triste, a memória de minha mãe veio e com ela mais lagrimas, eu não chorava por ela havia dias, mas eu me desabei naquela noite, eu não queria ficar sozinho, então deixei meu orgulho de lado e fui para o quarto de meu pai.
Ele já estava dormindo, então tentei não fazer barulho, deitei minha cabeça em seu peitoral nu, eu podia ouvir os batimentos dele, e senti logo depois que ele me abraçou e ficamos ainda mais perto um do outro, eu não me sentia mais sozinho e toda a minha tristeza passou.

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