Capítulo 01 | O FILHO MAIS NOVO

O FILHO MAIS NOVO

Capítulo 01:
Quando eu acordei naquela manhã meu pai já não estava na cama mais, um sentimento de alivio tomou conta de mim, aquela era a primeira vez que meu pai levantava tão cedo ou sequer se levantava da cama depois da morte de minha mãe algumas semanas atrás. Minha mãe, Adele, era tudo para o meu pai, Tom, ele não só a amava incondicionalmente como meu pai ainda era incomparavelmente dependente de minha mãe, em relação a serviços domésticos e cuidar de todo mundo minha família seguia o padrão completamente, meu pai era o provedor, trabalhava todos os dias e minha mãe a dona de casa que fazia tudo pela família. Com certeza vivíamos em um matriarcado em que minha mãe comandava tudo e todos, o que não era ruim, apesar de clichê minha mãe era a melhor mãe do mundo e eu sempre irei amá-la não importa o que aconteça.
Mas diferente do meu pai, o meu luto foi diminuindo com o passar do tempo, era triste a ideia de nunca mais poder ver ou falar com a minha mãe, mas a tristeza de sua morte estava ficando cada vez mais suportável, mas não para o meu pai, desde o funeral parecia que meu pai apenas piorava, no começo ele conseguiu segurar e ser forte, mas assim que meus irmãos foram embora e só ficamos nós dois as suas verdadeiras emoções vieram à tona, de um lado tudo aquilo era bom, eu finalmente pude ver um lado sensível de meu pai que eu nunca havia visto antes, toda aquela pose de macho alfa deu lugar a uma pessoa de verdade.
Meu pai parecia que estava completamente sozinho no mundo, ele não sorria mais, e ver aquilo doía, e eu não podia fazer nada, eu não podia ligar para alguns de meus irmãos, todos estavam ocupados com sua vida, então eu era a única pessoa que podia ajudar meu pai. Eu tentei conversar com ele, mas não deu certo então decidi ajuda-lo por ações ao invés de palavras, talvez esse seria o único outro jeito.
Primeiramente eu arrumei a casa, o que era uma tarefa bem mais difícil que eu imaginava, nunca havia feito antes e ter feito apenas me deixou mais orgulhoso de minha mãe que conseguia fazer tudo e ser uma mãe tão amável e completamente cansado. Quando terminei a limpeza cozinhei um jantar para nós dois, macarrão, por que era a única coisa que eu sabia fazer sem me atrapalhar na cozinha. Eu o chamei, pedi para que se arrumasse pois iriamos ter um jantar com a família, como a mamãe fazia.
Quando ele desceu ele estranhou ver a casa tão arrumada, ele deu um pequeno sorriso quando viu o jantar, meu pai não estava arrumado, longe disso, ele estava com a parte de baixo do seu pijama e apenas um sobretudo de seda cobria seu peitoral, seu cabelo estava desarrumado e sua barba estava por fazer a última vez que ele tinha se barbeado foi para o funeral de mamãe, mas eu agradeci à Deus por ele ter finamente ter tomado banho, já fazia algum tempo que ele não tomava banho e ficar no mesmo quarto que ele não estava sendo uma tarefa fácil. Aquela era uma visão diferente, nos últimos dias estávamos apenas comendo fast food , ele se alegrou, não chegava aos pés dopai que eu conhecia, mas tínhamos que começar por algum lugar.
Eu tinha trabalhado duro para fazer aquela noite especial, e ainda me esforçando para que meu pai falasse, ele parecia estar em um lugar completamente diferente, ele encarava o chão e quase nunca me respondia de vota quando perguntava algo para ele, tentei conversar com ele, tentei muito:
- Como está o gosto? Faz tempo que eu não cozinhava
- Está bom Elliot - meu pai disse depois de um tempo
- Pai...
- Sim
- Quando tudo vai voltar ao normal?
- Como?
- Eu sei que a mamãe não vai voltar, mas as coisas não vão ficar assim para sempre, não é? Você vai voltar a trabalhar, não vai?
- Sim filho, é só que...
- "só que..." o quê? - perguntei, meu pai me encarou por um tempo e respondeu:
- Eu não estou pronto para voltar, eu não estou pronto para abandonar a sua mãe! – meu pai gritou ficando com raiva, ele pegou o prato com comida e jogo no chão quebrando-o e fazendo uma completa bagunça na cozinha, eu estremeci um pouco pois me assustei. Meu pai se levantou da cadeira e saiu da cozinha. Eu fiquei sozinho, mais uma vez.
Estava com raiva, mais principalmente triste, fiquei alguns minutos sentado na mesa tentando processar o que tinha acontecido, não reparei mais fiquei quase uma hora sentado lá, quando me dei conta tentei fazer alguma coisa, sabia que iria chorar se eu não ocupasse minha mente.
Guardei toda a comida e tirei a comida do chão e joguei no lixo, quando me ajoelhei para pegar os cacos do prato que meu pai tinha estilhaçado comecei a chorar, não aguentei ser forte. Eu havia decepcionado meu pai, e minha mãe por não poder cuidar dele como ela fazia. Enquanto eu chorava meu pai apareceu atrás de mim, ele não estava mais alterado, estava calmo e triste como sempre, mas agora ele também estava arrependido.
- Elliot... – ele disse se aproximando de mim e se ajoelhando atrás de mim, eu não quis olhar para o rosto dele então continuei a catar os cacos – Elliot – ele disse novamente
- O quê?
- Me desculpe – ele tocou sua mão na minha e eu larguei os cacos que estava segurando. – Filho, eu... eu não sei o que deu em mim me desculpas eu não deveria ter te tratado daquele jeito
- Tudo bem, você tinha razão.
- Não, você se preocupa comigo, de todos os irmãos você é o que se preocupa mais com os outros, você é o que mais se parece com a sua mãe, talvez seja por isso que eu esteja tão longe de você ultimamente e me desculpe por isso.
- Tudo bem pai, eu te perdoo – eu disse e o abracei – aquela era primeira vez que eu o tinha abraçado desde que minha mãe morreu, e aquilo era bom, poder sentir meu pai tão perto, era como se estivéssemos conectados. Eu comecei a chorar de novo, mas dessa vez não era ruim, estava feliz. Meu pai secou minhas lagrimas com deu polegar e olhou bem nos meus olhos.
- Eu te amo e sempre vou te amar, eu não quero que você se esqueça disso tudo bem?
- Sim papai – eu disse. – Eu só não quero que o senhor se sinta sozinho novamente.
- Eu não estou sozinho filho eu tenho você – ele disse, nós nos olhamos diretamente, eu podia ver meu reflexo nos olhos de meu pai e um brilho que eu não via a bastante tempo.
Quando meu pai se levantou ele me deu a mão, eu a segurei e ele me puxou.
- Elliot? Você quer dormir comigo hoje?
- Como
- Dormir naquela cama grande sozinho é tão estranho, eu sempre tive a sua mãe do meu lado, você não quer dormir comigo hoje? – eu não sabia como responder aquilo, não era estranho eu dormir na mesma cama que o meu pai com a minha idade – só hoje? – ele disse
- Sim – aceitei, seria apenas uma noite, e seria bom ter meu pai por perto.
Ele me guiou sem soltar as minhas mãos até o quarto, ele se deitou em sua cama e eu em seguida, deitei no lado de minha mãe, ainda conseguia sentir o cheiro dela lá. Dormir com aquele cheiro e saber que meu pai estava ao meu lado me deixou extremamente confortável eu me sentia seguro.
Aquilo foi uma semana atrás, desde então eu dormi todas as noites com o meu pai, era estranho no começo, mas agora era a coisa mais normal em nosso dia, ele voltou a comer mais e a sua palidez estava indo embora, meu pai finalmente estava ganhando as suas forças e sendo o meu pai de sempre, ele estava mais feliz e fazia piadas, ele até cortou a grama de nossa casa que estava extremamente grande. Dormir juntos nos aproximou, conversávamos antes de dormir sobre tudo, e como sentíamos a falta de mamãe, mas eu conseguia ver que meu pai estava superando a morte dela. Ele sempre me dava um beijo de boa noite e falava que me amava, meu pai estava voltando a ser ele.
E aquele foi o primeiro dia em que ele acordou antes de mim, eu podia sentir o cheiro do café pronto vinda da cozinha, eu dei um sorriso, era bom não ter que acordar e fazer o café para variar, eu escovei meus dentes e desci para encontrar com meu pai, ele estava na cozinha lendo um jornal e tomando café.
- Bom dia – eu disse
- Bom dia flor do dia – ele disse
- Você acordou cedo hoje e até fez café
- Sim, quis fazer uma surpresa para você – ele abaixou o jornal e eu vi que ele tinha feito a barba pela primeira vez em muito tempo, ele também estava sem camisa e apenas de cueca. –
- A sua barba
- Sim eu aparei hoje mais cedo
- Para mim?
- Sim só para você – ele se aproximou e me abraçou, e eu pude sentir o cheiro da colônia ultra masculina que ele tinha parado de usar. – Ontem você comentou que a minha barba te faz cócegas quando te beijo dando boa noite, não é?
- Sim, obrigado – eu segurei seus ombros e beijei a sua bochecha, ficamos nos olhando por alguns segundos, meu pai ainda me abraçava ele segurava meu corpo e quando se desvencilhou de mim ele segurou minha cintura e sorriu, um sorriso que era diferente para mim.
- Eu te amo Elliot, e eu quero ser a melhor versão de mim possível para você – ele nos aproximou mais ainda, nossos corpos estavam colados um no outro.
- Eu também te amo papai, eu também quero fazer tudo para que você seja feliz – eu disse, meu pai me deu um beijo na bochecha.

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