PRATICAMENTE ESTRANHOS - Capítulo 02


PRATICAMENTE ESTRANHOS

{Capítulo 02}


Depois de uma conversa estranha fomos para o meu carro, coloquei as malas dele na porta malas, não havia muitos, apenas uma mala grande e uma pequena que pareciam ser iguais. Thomas estava sentado no banco do passageiro quando entrei no carro e dei partida.

- Tudo bem? – perguntei, aquele deveria ter sido a vigésima vez que havia perguntado aquilo para ele em menos de trinta minutos.

- Sim

- Você está tão diferente, tão... Crescido – Thomas apenas concordou com a cabeça – você está com fome? A gente pode ir para um restaurante ou alguma coisa assim.

- Não, eu não tô com fome – diz Thomas e dá um sorriso.

- Então podemos ir para casa então...

- Sim

- O apartamento está um pouco bagunçado então não repare. – eu disse enquanto passava a chave pela fechadura.

- ok – ele diz enquanto entravamos. – ah! O senhor acabou de se mudar – ele disse

- O que? Não

Entendo a pergunta, o apartamento estava bastante vazio, a sala só tinha um sofá e uma televisão apoiada no chão, a sala de jantar não tinha nenhum móvel e a cozinha completamente vazia.

- Eu não sou muito de comprar moveis, nunca consigo me decidir qual comprar sabe – disse e Thomas pela primeira vez gargalhou, o que por algum motivo me deixou completamente feliz, era como quando ele era um bebe e qualquer coisa que ele vazia me deixava em completo êxtase, eu tinha me esquecido como era ser pai.

- Aonde eu vou dormir?

- Ah! Sim, tem um quarto que eu estava usando como academia, mas eu movi algumas coisas de lugar para colocar uma cama, não se preocupe eu vou tirar tudo de lá o mais rápido possível, é aquela porta – eu apontei para a primeira porta no corredor do lado direito, bem na frente era o meu quarto e no final do corredor o banheiro que iriamos dividir, havia uma porta que acessava o banheiro no meu quarto e a outra no corredor.

Thomas abre a porta e entra no quarto, não sei se devo segui-lo e entrar ou se ele quer um momento sozinho. – Nicolai – Thomas chama meu nome, primeiro veio a surpresa dele não me chamar de pai, aquilo me deixou imóvel por alguns momentos – Nicolai – Thomas me chamou novamente.

- Sim – eu finalmente disse indo para o quarto

- Não tem uma cama

- Sim, sim eu comprei pela internet, ela deveria ter chegado há uns dois dias, mas a entrega atrasou, mas a boa noticia é que a comada chegou – eu disse tentando melhorar a situação. Thomas apenas sorriu par mascarar o que realmente estava pensando. – Você pode dormir na minha cama, e eu durmo no sofá  - eu disse rapidamente, não queria perde-lo o que é que aquilo significava.

- Não tudo bem, eu posso dormir no sofá.

- Não aquele sofá é horrível, eu não desejaria nem para o meu pior inimigo.

- Então porque você vai dormir lá?

- É.. – não sabia responder, estava apenas sendo um anfitrião gentil, não tinha uma resposta, Thomas saiu do quarto e eu o segui. Ele foi para o meu quarto.

- A cama é grande o suficiente para nós dois, quer dizer se o senhor concordar – não sabia como responder.

- Claro – era estranho achar estranho? Dormir com o meu filho, ele era o meu filho afinal de contas, aquilo não afetaria minha masculinidade de forma alguma.

- Quer dizer até a cama chegar...

- Sim, sim.

- Onde é o banheiro?  - Thomas perguntou

- No final do corredor, mas dá para entrar por essa segunda porta, a tranca está quebrada então... – eu disse apontando a porta

- Ok

Thomas entrou no banheiro e eu fui para a sala e me sentei no sofá, realmente eu precisava comprar móveis, aquela foi a primeira vez que percebi que não havia outro lugar para sentar em minha casa além do sofá e a minha cama. Ele saiu do banheiro e entrou na sala, não havia outro lugar para se sentar além do meu lado, meu sofá era um futon bastante velho, eu o havia comprado de segunda mãe quando voltei de viagem, eu não tinha muitos moveis e aquele foi o primeiro que comprei depois que cheguei. Ele era bastante pequeno e Thomas se sentou do meu lado, bastante perto, nossas coxas estavam completamente encostadas uma na outra.

Um silêncio assustador estava no ar, não sabia sobre o que falar com ele, e nem ele sabia do que falar comigo. Apenas olhávamos a televisão e de vez em quando cruzávamos os olhos e sorriamos sem graça um para o outro.

- Acho que deveríamos comprar moveis amanhã

- Você não precisa comprar só por minha causa

- Não, isso só foi uma coisa que eu adiei, mas que eu precisava fazer a muito tempo, pelo menos cadeiras ou alguma coisa assim.

-Tudo bem

- Assim você conhece a cidade.

- Sim

-Você está cansado? Por causa do voo?

- Um pouco, mas eu dormi no voo também.

-Ah....

Mais alguns momentos de silêncio

- Acho que vou tomar banho – eu disse, queria sair daquela situação – você quer ir primeiro?

- Ok

Thomas se levantou e foi até eu quarto e volta com menos roupas, apenas com a camisa e calça e uma muda de roupa na mão – Você te alguma toalha? – ele perguntou, a para piorar eu não tinha apenas tinha duas toalhas e uma delas estava suja e a outra e estava usando, Thomas viu pela minha cara a resposta.

- Você pode usar a minha, se não se importar.

- Não..- ele disse relutante, não havia outra opção, era quase meia noite  e nada estava aberto aquela hora.

- ela está no banheiro – disse, Thomas foi para o banheiro e fechou a porta, ele só saiu depois de quase uma hora, eu deveria brigar com ele por tomar um banho tão demorado?

- Aqui – ele disse me dando a toalha, eu a peguei e fui em direção ao banheiro – Você pode ir dormir, eu troquei os lençóis da cama então...

- Tá bom...

Entrei no banheiro e tomei meu banho apenas quando havia desligado o chuveiro que percebi que a porta do banheiro para o meu quarto estava aberta, e Thomas podia ver todo ele. Apesar dele não estar olhando no momento era imperceptível não olhar para dentro do banheiro quando todas as luzes da casa estavam apagadas e a do banheiro era a única ligada e iluminava todo o quarto.

Mas o momento mais constrangedor ainda estava por vir, não havia pegado nenhuma peça de roupa, então eu tive que entrar no quarto completamente pelado apenas com a toalha, tentei fazer o menos barulho possível, Thomas parecia estar dormindo, fui para minha cômoda e tentei colocar minha cueca ainda de toalha o que não aconteceu. Thomas estava dormindo então apenas tirei minha toalha e coloquei a cueca, estava de costas para meu filho, mas me virei enquanto “ajustava” meu equipamento e pude ver que ele estava acordado, meu coração esfriou era como se tivesse sido pego no flagra, eu congelei por um minuto, Thomas estava olhando em meus olhos e eu nos dele, ficamos um momento daquele jeito apenas nos olhando, minha vergonha e susto havia desaparecidos, apenas o olhar dele estava em meus pensamentos, nenhum de nós parecia piscar. Ficamos daquele jeito até Thomas mudar de posição e virar de costas para mim.

Sem ter muito que poder fazer eu apenas me deitei na cama com Thomas e esperei o sono vir.

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