PRATICAMENTE ESTRANHOS - Capítulo 01
Capítulo 1
Aquele era o dia em que Thomas finalmente voltaria para casa definitivamente, já tinha se passado quase três anos em que meu filho fora aceito em um internato de renome com uma bolsa de quase noventa por cento. Thomas era meu único filho, ele tinha acabado de fazer dezoito anos e era de longe uma das pessoas mais inteligente que eu havia vista em minha vida, eu me orgulhava muito de meu filho apesar de não estar muito presente em sua vida nos últimos anos, eu e a mãe dele nos conhecemos quando éramos colegiais e nos casamos muito cedo, o principal motivo foi Thomas, engravidamos com dezessete anos e a família dela era muito rígida e religiosa por isso não havia outra “opção”, mas apesar de tudo eu não trocaria Thomas por nada.
Meu filho sempre foi muito tímido e recluso e nunca gostou de passar o tempo como ou com os outros garotos de sua idade, ao invés de vermos jogos ou praticar algum esporte ele passava o tempo completando algum quebra cabeça ou lendo livros, a mãe dele sempre teve uma saúde frágil e a gravidez foi de risco e passaram quase os nove messes em uma cama e desde que ele nasceu ela o tratou como uma peça de vidro, talvez seja por isso que ele não era como os outros garotos.
Como minha mãe previu, o meu casamento não durou muito, brigávamos sobre tudo, especialmente sobre Thomas, ambos tínhamos ponto de vista completamente sobre como criá-lo e por sempre ser delicada a mãe dele sempre vencia e com o tempo eu fui me afastando cada vez mais deles, até que finalmente nos divorciamos, logo após disso eu recebi uma oportunidade de emprego fora do país, o que resgou o último fio do nosso relacionamento como pai e filho. Falávamos no telefone algumas vezes, nada mais do que duas ou três vezes em seis messes.
Quando eu Thomas tinha trezes anos ele me ligou e disse que recebera uma bolsa no internato e que iria morar lá, o que me alegrou de verdade, apesar de ser apenas mais uma razão para nos afastarmos, eu tive alguns romances depois de meu primeiro casamento e até cheguei a ficar noivo com uma doce garota um pouco mais nova, mas não durou muito tempo, depois disso eu meio que havia desistido de me casar novamente, apesar disso eu me relacionei com diversas outras mulheres, de todas as idade e lugares, mas nenhum durou mais do que alguns messes. Nunca mais tive algum relacionamento com minha ex-mulher, sequer falávamos, mas soube por Thomas que ela havia se casado de novo na mesma época em que ele havia se mudado para o internato, eu cheguei a pensar que o novo padrasto de Thomas o havia mandado para aquele internato, mas Thomas sempre mencionava o internato com uma verdadeira paixão.
Apesar de se casar novamente, e estar em um relacionamento estável a saúde da mãe de Thomas não havia melhorado apenas piorado com o passar dos anos até que resultou em sua morte alguns messes atrás, eu apenas recebi a noticia muito tempo depois quando Thomas me ligou e contou, eu já havia voltado para casa naquela altura, e Thomas me ligou dizendo que não havia conseguido renovar sua bolsa e que deveria voltar assim que o ano escolar acabasse oque significava que ele iria morar comigo, seus avós estavam muito velhos e meus pais já haviam morrido há muito anos, eu era a sua única opção aparentemente.
Eu não sabia oque havia acontecido com o padrasto dele mais eu era eu quem deveria cuidar de Thomas, que era meu filho de sangue no final das contas. Eu não via meu filho há alguns anos, mesmo que falar isso pareça estranho foi apenas uma coisa que aconteceu, mais eu o acompanhava por fotos e algumas vídeo chamadas bastante desajeitadas, mas apesar disso meu filho era um completo estranho para mim.
Apesar de ter um filho e já ter sido casado eu era um completo solteirão e meu apartamento exalava isso, tinha poucos moveis pois nunca liguei para decoração tinha apenas o necessário em meu apartamento de dois quartos. As paredes ainda eram brancas, e meu quarto tinha basicamente uma cama um abajur, e o armário onde guardava minhas roupas, o segundo guardo talvez era o mais mobilhado, eu usava como uma academia, tinha diversos pesos uma esteira, e um banco de musculação e uma bola suíça além de outro equipamentos de exercícios, mas agora aquele seria o quarto de Thomas e eu deveria pelo menos arrumar uma cama para ele, o que fiz pela internet, demoraria alguns dias o suficiente antes que ele chegasse.
A ideia de morar com meu filho aflorou em mim algum tempo depois, eu posso parecer egoísta, mas nos últimos anos eu não havia pensado muito em meu filho, eu claramente não tinja uma relação com ele, mas a noticia da vinda dele com certeza me fez pensar em todo o tempo que e simplesmente me afastei, por muito tempo eu culpei a mãe dele, mas talvez eu devesse ter insistido mais, afinal ele era ainda era uma criança quando eu fui embora e seu e tivesse ficado talvez tivéssemos um relacionamento normal de pai e filho, eu tinha tantos “talvez” que havia enterrado dentro de mim, será que desenterrar tudo aquilo agora seria bom, será que eu ainda tinha alguma chance com meu filho?
Talvez ele também quisesse se reconciliar comigo, afinal ele não havia me pedido se ele podia morar comigo, em nossa conversa ele apenas afirmou a decisão dele, talvez o padrasto fosse uma opção ou os avós maternos e mesmo assim ele escolheu ficar comigo aquilo podia ser um sinal, um novo começo para nós.
{...}
A manhã finalmente havia passado e tinha chegado a hora de buscar meu filho no aeroporto, ele não havia me informado nenhuma informação sobre seu voo apenas que chegaria por volta das seis horas e que me ligaria quando pousasse antes de dar cinco eu já havia saído de casa e estava em direção ao aeroporto, depois de pegar algumas informações com quem trabalhava lá eu apenas me sentei e esperei por meu filho, apesar de conhecer sua fisionomia por fotos eu tinha um medo de não reconhece-lo e que passasse direto por ele, isso com certeza arruinaria minha chances.
Esperei por varias horas era quase oito horas da noite quando eu recebi o primeiro telefonema de meu filho, sua voz parecia cansada, ele me disse que estava desembarcando e que me esperaria em certo local do aeroporto. Com ajuda das placas eu tentei me achar e achar o lugar, não demorou muito mais finalmente achei.
Quando cheguei procurei por meu filho mais não o achei, olhei todos os rostos com demora até mesmo peguei uma foto antiga dele que tinha em meu celular, mas nenhum sinal dele, depois de uns vinte minutos eu finalmente vi meu filho, não tinha como não reconhecê-lo, meu medo de mais cedo sumiu completamente, aquele era com certeza meu filho, eu conseguia reconhecer todos os seus traços, o que não era meu era de sua mãe, a maioria vinha dela, o que eu não podia reclamar, apesar de tudo o que aconteceu a mãe de Thomas era uma das mulheres mais lindas que eu havia conhecido, e ao que parecia ela havia dado toda a sua beleza para o nosso filho.
Thomas se destacava do resto da multidão pois, era mais alto que a maioria das pessoas, ele havia puxado aquilo de mim alto Thomas tinha cerca de um metro e oitenta ou beirando essa altura, ele era mais baixo do que eu que era talvez muito alto. Seu cabelo loiro que vinha de sua mãe também se destacava, mais o mais especial nele eram os seus olhos, um azul completamente hipnótico que lembrava a agua do mar em um dia completamente reluzente, apesar dele estar tão diferente seus olhos continuavam os mesmo de quando ele nascera, eu lembro que foi a primeira coisa que notei quando o segurei pela primeira vez.
Thomas também me reconheceu e deu um sorriso tímido, quando finalmente nos encontramos tentei abraça-lo, mas ele ergueu a mão indicando um comprimento, talvez ambos não sabíamos como nos comportar naquele momento, afinal havia quase uma década desde a ultima vez que havíamos nos visto, ele tinha apenas oito anos, e agora com dezesseis estava um homem completo, um lindo homem.
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